RÚSSIA PREPARA MAIS UM TESTE DO MÍSSIL BUREVESTNIK MOVIDO A ENERGIA NUCLEAR, INDICA FOTO DE SATÉLITE

Chamado de Burevestnik, que a OTAN designa como SSC-X-9 Skyfall’, novo armamento poderia evitar radares e interceptores de defesa antimísseis dos EUA; especialista temem nova corrida armamentista

 


Novas imagens de satélite obtidas pela CNN mostram que a Rússia pode estar preparando outro teste de seu míssil de cruzeiro movido a energia nuclear, conhecido como “Skyfall” – uma arma polêmica projetada para derrotar os sistemas de defesa dos Estados Unidos.

As fotos, capturadas na segunda-feira (16) pela empresa de imagens de satélite Capella Space, oferecem “fortes indícios que a Rússia estava se preparando para testar um míssil de cruzeiro movido a energia nuclear” em um conhecido local de lançamento localizado perto do Círculo Polar Ártico, disseram especialistas do Instituto Middlebury do Centro de Estudos Internacionais para Estudos de Não Proliferação à CNN.

As autoridades norte-americanas estão cientes de que a Rússia pode estar preparando outro teste do que chama de míssil “Burevestnik” como parte de seu programa de armas avançadas, de acordo com uma fonte informada sobre o assunto.

A CIA não quis comentar o assunto e o Pentágono e o Ministério da Defesa da Rússia não responderam imediatamente aos pedidos da CNN.

“Usar um reator nuclear daria ao míssil de cruzeiro, em princípio, alcance ilimitado para voar sob e ao redor dos radares e interceptores de defesa antimísseis dos EUA”, disse o pesquisador Jeffrey Lewis, especialista em armas do Instituto Middlebury que revisou as imagens.

Existem “questões substanciais, no entanto, sobre se o sistema pode funcionar com sucesso, para não falar da ameaça que o teste deste sistema pode representar para o meio ambiente e para a saúde humana”, acrescentou.

Esses riscos levaram alguns especialistas a chamar a arma de “Chernobyl voador”, disse Lewis à CNN, observando que um esforço de agosto de 2019 para recuperar um míssil que caiu no Mar Branco resultou em uma explosão que matou cinco técnicos russos.

Na época, Lewis disse à CNN que as imagens de satélite sugeriam que o incidente podia estar relacionado ao desenvolvimento de um míssil de cruzeiro movido a energia nuclear.


A Rússia conduziu pelo menos um voo de teste do míssil de cruzeiro movido a energia nuclear do mesmo local próximo ao Círculo Polar Ártico em novembro de 2017. Segundo informações, Moscou realizou vários outros testes nos meses que se seguiram, embora nenhum tenha sido considerado bem-sucedido.

Em março de 2018, o presidente russo, Vladimir Putin, divulgou um vídeo de um teste de míssil de cruzeiro movido a energia nuclear que permitiu que pesquisadores de código aberto, incluindo analistas do Instituto Middlebury, identificassem o local, disse Lewis à CNN.

Pesquisadores têm monitorado este local nos últimos meses e imagens de satélite feitas pela empresa de imagens de satélite Planet mostraram navios de carga visitando este local e suprimentos se acumulando em uma área de apoio, de acordo com Lewis.

Mais recentemente, a Rússia emitiu um “aviso aos marinheiros” alertando sobre operações perigosas a serem conduzidas entre 15 e 20 de agosto próximo ao local de teste de Burevestnik, próximo a Pankovo, em Novaya Zemlya.

Uma imagem de radar de alta resolução obtida em 16 de agosto mostrou que “o pessoal russo ergueu um grande abrigo ambiental para proteger o míssil e as tripulações que preparavam o lançamento do clima severo”, de acordo com Lewis.








“Este abrigo foi retraído, revelando um grande objeto na plataforma de lançamento, que é um possível lançador SSC-X-9 Skyfall”, disse ele. “Também há um número significativo de objetos próximos à plataforma de lançamento, que provavelmente são veículos e contêineres. Nenhuma dessas assinaturas estava presente na última vez em que o local foi fotografado, em junho.”

A Rússia tem modernizado suas armas nucleares estratégicas e sistemas de lançamento para conter os EUA e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e reforçar sua reivindicação de ser uma grande potência militar, aumentando o temor de outra corrida armamentista nuclear, enquanto os norte-americanos também se empenham em atualizar seu arsenal nuclear.

Apesar de Moscou ter renovado o tratado de controle de armas nucleares New Start em fevereiro, logo após a posse de Joe Biden, os EUA retiraram-se de dois tratados de controle de armas com a Rússia: o Tratado de Forças Nucleares Intermediárias em 2019 e o Tratado de Céus Abertos em 2020.

Fonte: CNN

Zachary Cohen

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