DESIGNAÇÃO DE HOUTHIS COMO ‘TERRORISTAS’ POR TRUMP LEVARÁ IÊMEN À FOME, DIZ A ONU

O Iêmen pode sofrer uma situação de fome de proporções maciças se os Estados Unidos não “reverterem” sua decisão de classificar os huthis como “terroristas”, disse um alto funcionário do Conselho de Segurança das Nações Unidas nesta quinta-feira (14).

“O que impediria? Reverter a decisão” que entrará em vigor no dia 19 de janeiro, afirmou o chefe de Assuntos Humanitários da ONU, o britânico Mark Lowcock. Ele avalia que as isenções prometidas por Washington às ONGs que distribuem ajuda humanitária não vão limitar a ameaça de uma fome inédita em 40 anos.

Determinada no domingo pelo governo de Donald Trump, a designação dos huthis como “terroristas”, medida que deve entrar em vigor na véspera da posse de Joe Biden, foi comemorada pela Arábia Saudita, que luta contra esses rebeldes iemenitas.

O decisão foi, porém, duramente criticada pela União Europeia e por várias ONGs, e os parlamentares democratas pediram a Biden que a desfaça assim que assumir a Presidência.

Além de bloquear a ajuda humanitária, a medida vai atrapalhar as negociações políticas para resolver o conflito, alertaram funcionários da ONU nesta quinta durante uma videoconferência do Conselho de Segurança.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, “com certeza” apoia que os EUA revoguem sua decisão, disse seu porta-voz, Stéphane Dujarric.

É a primeira vez que a ONU, geralmente cautelosa em seus comentários sobre os Estados Unidos, seu maior contribuinte financeiro, critica de forma tão clara e contundente uma iniciativa do governo cessante.

O enviado da ONU para o Iêmen, Martin Griffiths, também britânico, disse que “compartilha fortemente” a posição de Lowcock.

“Nos preocupa que (a decisão dos Estados Unidos) diminua o ritmo e atrapalhe nosso trabalho de aproximação das partes”, afirmou o enviado, que mantém contato regular com os huthis.

Segundo Lowcock, as projeções da organização para 2021 mostram que 16 milhões de pessoas passarão fome no país.

Se implementada, a decisão americana ameaça paralisar a entrega de ajuda humanitária e impedir o contato com funcionários huthis, a administração tributária, o uso do sistema bancário, o pagamento de profissionais da saúde e a compra de alimentos e combustível.

Obs.: Aguarda-se qual será a ação do novo presidente dos EUA, Joe Biden, se revogará ou não essa ação de Trump.

Fonte: AFP

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.