FALTA DE VETORES OBRIGA FAB A FAZER ESFORÇO LOGÍSTICO

A luta contra o coranavírus mostra mais uma vez a falta que faz ao Brasil um avião de longo alcance. A necessidade de o país repatriar brasileiros espalhados pelo mundo, assim como buscar equipamentos como respiradores e insumos de todo o gênero na china nos obriga a fazer um esforço logístico com os meios que a FAB dispõe hoje. Temos hoje nas fileiras da FAB um punhado de C-130H já em final de sua vida operacional e dois Embraer C-390, estes em fase de integração operacional em Anápolis(GO). Mesmo estes vetores não são aviões de carga de longo curso. O 130 e o 390 cumprem muito bem o seu papel dentro do nosso vasto território e na realidade da América do Sul, mas não são vetores indicados para buscarmos seja lá o que for na Europa ou na Ásia.

Desde 2013 não temos aviões de longo curso na frota da FAB. Os últimos foram os KC-137, Boeing 707 (ex-Varig) convertidos um para o transporte presidencial o FAB2401 e outros três para cargueiros e aviões tanques para reabastecimento em voo, os FAB2402, 03 e 04. O esquadrão Corsário que operava os KC-137 teve um hiato de três anos até o aluguel de um Boeing 767-300ER, sendo ele apenas um avião de passageiros e de cargas, sem a função de reabastecimento em voo, esse 767 recebeu a designação de C-767 FAB2900. E este só foi alugado para atender as demandas logísticas das olimpíadas de 2016. O 767 foi devolvido em meados de 2019 com o fim do contrato de locação.


Ainda no início da crise do coronavírus, quando brasileiros que se encontravam no epicentro da crise na cidade de Wuhan, tivemos que usar dois aviões presidenciais Embraer-190 designados na FAB VC-2 com matrículas FAB2590 e 2591. Esses Embraer tem a missão de transportar autoridades pelo Brasil, no máximo até algum país da América do Sul. Para o repatriamento dos brasileiros, foi necessário o uso de outros aviões, Embraer ERJ-145 na FAB C-99A, para a troca de tripulações, uma vez que os VC-2 precisam fazer um maior número de escalas até chegar à China, isso tanto na ida quanto na volta.

Percebam o esforço logístico que foi e muito provavelmente terá que ser refeito para voltarmos à China ou ir à Europa com os meios que temos. A outra opção que temos para transporte é o avião presidencial Airbus A319 ACJ, o VC-1 FAB2101. Este tem uma autonomia um pouco maior que os VC-2, logo é inadequado para um deslocamento de longo curso.


Temos opções no mercado de Boeing 767 ou Airbus A330 para essa função, tanto no tocante a aluguel ou a uma possível compra. Podemos também, fretar aviões de companhias aéreas para esses voos, mas isso não pode ser uma regra para um país como o Brasil, um líder regional, uma nação com parceiros econômicos um tanto distantes e brasileiros espalhados por todo o globo terrestre. Vemos vetores europeus como o A-400M, russos como o An-124 transportando pessoas e cargas para diversas partes do mundo na atual crise. Necessitamos, mais do que nunca de vetores (no plural mesmo) de longo alcance, para atendermos as demandas que possam surgir em tempos de paz ou em guerra. Sim guerra, o mundo está em guerra contra a Covid-19.

Por Fabiano Brum

Foto 707 – FAB

Foto Hercules C-130H – Fabiano Brum

Foto do Avião presidencial Dallas, Texas, 15.05.2019 – Isac Nóbrega Fonte https://www.flickr.com/photos/palaciodoplanalto/33979130318/

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