ZONA DE EXCLUSÃO AÉREA EM IDLIB PERMITIRA À TURQUIA AGIR COM IMPUNIDADE

A Turquia apelou à criação de uma zona de exclusão aérea sobre a província síria de Idlib. Especialista acredita que essa medida permitiria a Turquia a agir com impunidade em Idlib.

Nesta sexta-feira (28), o representante do governo turco Fahrettin Altun declarou que a comunidade internacional deveria impor uma zona de exclusão aérea sobre a província síria de Idlib.

“A comunidade internacional deve tomar medidas para proteger a população civil e estabelecer uma zona de exclusão aérea [na região de Idlib]. Os garantes do processo de Astana – Rússia e Irã – perderão sua credibilidade caso não cumpram com as suas obrigações de reduzir a violência e as hostilidades em Idlib”, escreveu Altun em sua conta no Twitter.

Anteriormente, o lado turco havia relatado a morte de 33 soldados durante um ataque aéreo do governo sírio. Em resposta, o Exército turco conduziu ataques de grande escala contra posições das tropas sírias.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, convocou uma reunião sobre questões de segurança após o ataque às tropas turcas.

Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, durante reunião em Istanbul, em 29 de fevereiro de 2020

© REUTERS / PRESIDÊNCIA DA TURQUIAPresidente turco, Recep Tayyip Erdogan, durante reunião em Istanbul, em 29 de fevereiro de 2020

O líder turco telefonou para o seu homólogo russo, Vladimir Putin, para discutir a situação em Idlib. Durante a conversa, o presidente da Federação da Rússia pediu maior eficácia na interação entre as entidades de defesa da Rússia e da Turquia.

“Ambos os lados enfatizaram a necessidade de medidas adicionais para normalizar a situação no noroeste da Síria”, afirmou o Kremlin.

O especialista em Oriente Médio e professor da Escola Superior de Economia de Moscou, Andrei Chuprygin, acredita que a paz em Idlib não será alcançada pela imposição de uma zona de exclusão aérea, mas sim pelo cumprimento por parte da Turquia de seus compromissos.

“A Turquia está utilizando todas as suas cartas políticas que pode usar [em Idlib]”, disse Chuprygin ao serviço russo da Rádio Sputnik. “Incluindo a tentativa de convencer a OTAN e a ONU da necessidade de introdução de uma zona de exclusão aérea. A situação é realmente difícil porque a escalada é muito séria – mais de trinta militares turcos perderam a vida neste território durante os últimos confrontos”, explicou.

Para ele, a imposição de uma zona de exclusão seria muito benéfica à Turquia, que poderia continuar a conduzir operações militares sem enfrentar resistência.

“A zona de exclusão aérea seria um presente para Erdogan. Se a zona de exclusão aérea sobre Idlib for imposta, isso significará que os turcos poderão conduzir operações militares nessa região praticamente com impunidade”, acredita Andrei Chuprygin.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, já tinha declarado que a Turquia não estava cumprindo várias de suas obrigações fundamentais em relação à desescalada na província de Idlib, como por exemplo fazer a dissociação entre grupos moderados e grupos radicais atuantes em Idlib.

O memorando russo-turco de 18 de setembro de 2018, acordado na reunião dos presidentes Putin e Erdogan, autorizava a Turquia a manter suas posições militares em Idlib desde que cessasse a atividade de grupos terroristas na região.

Fonte: Sputnik News

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