MINISTRO DO IRÃ COMPARA O FUTURO ESTADO PALESTINO DE TRUMP A BANTUSTAN, TERRITÓRIO RESERVADO AOS NEGROS NO “APARTHEID”

O ministro das Relações Exteriores do Irã comparou o futuro Estado da Palestina, proposto no plano “Vision for Peace” do governo Trump para resolver o conflito histórico entre Israel e Palestina, com uma nova Bantustan. Criados na África do Sul, através da Lei de Cidadania dos Estados Nacionais de 1970, os Bantustans foram a maneira do governo racista de fragmentar e confinar os negros em “estados-nações” não conectados, evitando assim, que ocorresse o fortalecimento e a união das diversas etnias negras e, consequentemente, ameaçar a política de Apartheid.

A comparação é aceitável, pois como no caso dos Bantustan, os palestinos sequer foram ouvidos, mesmo possuindo uma autoridade reconhecida internacionalmente que é o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, também é visível a nítida fragmentação da Palestina, que segundo o plano de Trump perderá 30% do território, e finalmente, o plano valida ações ilegais de Israel, que há décadas desobedece sucessivas resoluções da ONU que impediam a construção de assentamentos judeus nos territórios palestinos ocupados na Cisjordânia.

Durante o dia de ontem (28), o presidente Trump gabava-se do seu plano para a paz de Israel e Palestina, porém, em seus twittes enviou somente mensagens a Israel, evidenciando mais uma vez de que lado da história. Também demostra que o “Vision for Peace” foi feito para privilegiar os judeus.

“I will always stand with the State of Israel and the Jewish people. I strongly support their safety and security and their right to live within their historical homeland. It’s time for peace!”

“Eu sempre estarei com o Estado de Israel e o povo judeu. Apoio fortemente sua segurança e seu direito de viver em sua pátria histórica. Está na hora da paz!”

A Palestina também é histórica para os palestinos

É necessário lembrar que os habitantes não-judeus estão há 600 anos na região que ficou conhecida, desde o século XIX, como Palestina. Na época da partilha em 1947, havia pouquíssimos judeus morando nas cidades de Hebron (al-Khalil) e Belém (Beit Lahm), fato usado como critério para hoje, serem consideradas cidades palestinas e não israelenses. Em qualquer foto aérea de Jerusalém a gigantesca mesquita de Al Aqsa é o monumento mais visível. Aliás, há quase 400 mesquitas em Israel, todas erguidas antes da criação do Estado de Israel, e que pela lei, deveriam ser protegidas pelo governo.

Por Graan Barros

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.