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IRÃ DEVE CONTINUAR A BUSCAR A DISSUASÃO NUCLEAR

  • Kim Jong-Un e Donald Trump no encontro histórico de Singapura - previsão de vitória do norte-coreano nas discussões em Hanoi 14.06.2018 Kevin Lim
  • Dissuasão nuclear

A história recente comprova que a única dissuasão eficaz é a nuclear. A Coreia do Norte de hoje consegue afrontar os EUA, Coreia do Sul e Japão sem possuir armas convencionais modernas ou que façam frente as do Ocidente. A mudança da doutrina bélica, privilegiando armamentos estratégicos como mísseis balísticos de alcance médio, intermediário ou longo e o desenvolvimento de ogivas nucleares em detrimento da modernização dos seus meios táticos convencionais – carros de combate, aeronaves e navios, possibilitou a Coreia do Norte ter o poder de barganha e de conversar de igual para igual com os EUA. Mais do que ideologia de qualquer tipo isso é um fato.

Quem não se lembra da retórica belicista de Trump de que tiraria a Coreia do Norte do mapa com “fogo e fúria? Na época, chegou a ser advertido que esse tipo de discurso poderia ser interpretado como crime de guerra, já que para tirar um país do mapa teria que dizimar a sua população. Pouco tempo depois, Trump iniciou conversações com Kim Jong Un, visitou a Coreia do Norte e, pasmem: fez elogios ao governante norte-coreano, afirmando: “nós nos apaixonamos”

Kim Jong-Un e Donald Trump no encontro histórico de Singapura – previsão de vitória do norte-coreano nas discussões em Hanoi 14.06.2018 Foto de Kevin Lim (Reuters)

O Iraque ao contrário, na época em que foi atacado pelos Estados Unidos, em uma guerra forjada por mentiras, plantadas pela CIA na imprensa mainstream, de que possuía armas químicas estocadas, tinha em seu inventário apenas material bélico convencional. O mesmo caso é o da Líbia, mais recentemente, que possuía até uma ótima defesa antiaérea. Não fez diferença, ambos os países sucumbiram em pouco tempo, quando uma aliança de países ocidentais lançou a partir de destróiers e submarinos, uma chuva de mísseis de cruzeiro contra seu território. Em poucos dias, com ataques também da aviação já havia uma zona de exclusão aérea e a destruição de todos os principais alvos estratégicos.



Esses dois exemplos já poderiam por si só servir de argumento para que o governo do Irã continue tentando desenvolver a tecnologia de fabricação de ogivas nucleares. Mas, o argumento maior está a quase 2.000 km de Teerã e chama-se Israel. O estado judeu é o seu maior inimigo no Oriente Médio apesar de nunca terem entrado em guerra. Seus vizinhos Síria e Egito já entraram em guerra com Israel, mas sucumbiram ao poderio israelense (com ajuda dos Estados Unidos) em três guerras, a saber: Guerra de 1948, Guerra dos Seis Dias (1967) e Guerra do Yom Kippur (1973). Além da vergonha da derrota, a Síria e o Egito perderam parte do território, que no caso da Síria perdeu as Colinas do Golam, ainda luta para recuperá-la.

Israel, desde a sua criação, resolveu adquirir tecnologia nuclear para produzir bombas atômicas e conseguiu com a ajuda do governo francês que temia um novo holocausto judeu no Oriente Médio (Pinkus, B., & Tlamim, M. 2002). Tudo feito sem passar por embargos ou sanções do tipo que o Irã e sua população estão sendo submetidos hoje, por ambicionar o mesmo que Israel. Todos os governos israelenses, entretanto, sempre negaram a posse desse tipo de amamento, mas todo o mundo sabe que as Forças de Defesa de Israel (IDF) possuem pelo menos 100 artefatos que podem ser lançados por plataformas terrestres, aéreas e submarinas.

No último ano, veio a tona pelo jornal The New York Times um plano secreto israelense batizado de “Shimshon”, em que as IDF lançariam uma bomba atômico sobre a Península do Sinai, no Egito, caso Israel estivesse perdendo a Guerra dos Seis Dias, em 1967. A informação foi obtida através de uma entrevista que o pesquisador Avner Cohen fez ao general brigadeiro da reserva israelense, Itzhak Yaakovum. Ou seja, na hora em que julgar necessário o governo israelense vai lançar mão do seu arsenal nuclear sem qualquer melindro.

Força Aérea de Israel sobrevoando o Sinai

Não existem argumentos sólidos para que o Irã não tenha armas nucleares, a não ser aqueles elucubrados na mente de seus inimigos. Por que um país pode possuir e o outro não? Todos os países têm o direito de se armar da maneira que se sintam seguros e o Irã, apesar dos seus parcos recursos, desenvolveu grande capacidade em mísseis balísticos, que é reconhecida, inclusive, pelos Estados Unidos em relatórios como o recente, “Iran Military Power – Ensure Regime Survival and Secury Regional Dominance” elaborado pela Defense Intelligence Agency (DIA). O DIA é um serviço de inteligência externa do governo federal dos Estados Unidos.

De fato, os seus mísseis balísticos, mesmo com cabeça de guerra convencional, são considerados o verdadeiro poder dissuasório atual do Irã. Alguns deles já foram testados em combate real, contra as posições terroristas na Síria (vídeo abaixo). São mísseis de pequeno e médio alcance que podem atingir alvos dos principais inimigos do país persa, a saber: a ditadura da Arábia Saudita, Israel e os navios norte-americanos que acessam o canal de Ormuz. O próximo salto, que parece estar muito distante ainda, será o de enriquecer o urânio a um taxa de 90% e a miniturização de ogivas para que possam caber em um cabeça de guerra de um míssil balístico.

Por Graan Barros

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