COMPRAS DE PRATELEIRA, CAÇAS F/A-18 HORNET E PORTA-AVIÕES – ANÁLISE

Em relação as notícias sobre a possível aquisição de caças F/A-18C / D Hornet para substituir as aeronaves AF-1B/C (A-4 Skyhawk) da Marinha do Brasil, fazemos uma pequena análise utilizando assuntos relacionados como as “compras de prateleira” e a real necessidade de um porta-aviões.

A chamada compra de prateleira é um recurso amplamente utilizado por países que ainda não possuem indústria de defesa consolidada e com capacidade de desenvolver e fabricar material bélico de ponta para as suas forças armadas. O Brasil, entretanto, já possuí capacidade de desenvolver mísseis, aeronaves remotamente pilotadas, blindados, etc.

Por esse motivo o governo brasileiro deve aumentar o investimento no setor, pois a compra de prateleira não beneficia o comprador, não gera divisas, não gera empregos, e ainda por cima, aumenta a fuga de cérebros para o exterior de profissionais altamente especializados. A compra de prateleira só beneficia quem vende. Sendo assim, deve-se lançar mão dela apenas para cobrir pequenas lacunas da defesa em áreas não-sensíveis.

As áreas sensíveis, que envolvam tecnologia de ponta, deve-se optar pelo desenvolvimento interno ou a negociação com empresa de país que esteja disposta em contrato, de transferir tecnologia sensível. Concluída essa parceria o pais deve ter absorvido essa nova expertise para desenvolver novos produtos sozinho.

O programa de aquisição de caças para a Força Aérea Brasileira (FAB) (FX-2) com a Suécia e o programa de submarinos da Marinha do Brasil (PROSUB) com a França, são os exemplos mais importantes e vitoriosos de transferência de tecnologia que já tivemos no Brasil.

“Não somos compradores de prateleira” – Ex-Ministro da Defesa Nelson Jobim:

Sobre a suposta necessidade de aquisição de caças F-18 Hornet pela Marinha do Brasil

Os caças operados em porta-aviões não realizam defesa aérea do espaço aéreo nacional como alguns pensam, eles têm duas funções básicas: 1. Prover a chamada “defesa expandida” que é a camada mais distante da defesa de um Grupo-Tarefa, ou seja, são os interceptores de aeronaves inimigas que ameacem a missão desse GT, e por essa razão são conhecidos como “fleet defense fighters”, em português: caças de defesa de frota. 2. Realizar ataques ao solo. Os caças FA-18 Super Hornet e o SU-33 da Rússia são dois bons exemplos na execução desse tipo de ataque. Sendo assim, não há porque manter um esquadrão com esse tipo de aeronave sem ter um porta-aviões para operar nele.

Na verdade, talvez o Brasil nem tenha necessidade de possuir porta-aviões. Os países que possuem esse tipo de meio necessitam de forma cabal projetar poder em áreas de interesse, entre eles estão os Estados Unidos, China, Rússia e França. O Brasil, ao contrário, não possui áreas de interesse em outros países.

Outra questão a ser levantada, é que hoje não existe na Marinha do Brasil um projeto para a construção de um porta-aviões. Também não existe hoje no mercado nemhum porta-aviões que esteja prestes a dar baixa para ser comprado. Um exemplo prático é a aquisição pela nossa marinha, em 2000, do porta-aviões Foch que viria a se tornar o porta-aviões São Paulo (A12). O único porta-aviões que está prestes a sair da linha de frente é o porta-aviões Enterprise, descomissionado em 2017 e em vias de ser desmantelado. Por ter muito segredos militares não será repassado a nenhuma outra nação aliada.

Outras nações como Índia, China e Inglaterra estão construindo porta-aviões e que estão em etapas distintas de construção e testes. A França opera apenas um atualmente, o Charles de Gaulle. O único porta-aviões da Rússia, infelizmente, está parado com muitos problemas no estaleiro e talvez não volte ao mar.

Notem que os países que já detém a expertise para a construção desse tipo de embarcação normalmente não a transferem. O estranho disso tudo é que a Marinha é uma das nossas forças que mais precisam de renovação dos seus meios. O programa das corvetas da classe Tamandaré anda a passos bem lentos e os quatro submarinos que estão em etapas distintas de fabricação estão com os cronogramas atrasados. Não seria melhor a Marinha se preocupar com esses meios citados, já que dentro da lógica da guerra naval são meios de dissuasão?

E o que a nossa Marinha pode fazer com caças perto do final de sua vida útil, que não terão utilidade dentro da lógica da guerra naval sem o “complemento” de um porta-aviões?

Por Fabiano Brum e Graan Barros




Você pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *