CLASSE MARKASSAR: A NECESSIDADE DE MAIS UM LPD PARA MARINHA DO BRASIL

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O vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão viajou para o Perú no dia 23 para assinar um acordo de cooperação na área militar, que pode ter como resultado a aquisição (por troca) de um LPD. A Marina de Guerra del Perú já possui o B.A.P. Pisco em operação e outro navio em avançada fase de construção. Talvez este possa ser o objeto do acordo.

A classe Markassar é do tipo Landing Platform Dock (LPD), ou seja, um navio de projeção anfíbia com doca alagável. No Brasil, esse termo foi sempre adaptado para Navio de Desembarque Docas. Entretanto, seguindo a tendência mundial a Marinha do Brasil deve designá-lo como Navio-Doca (Multipropósito) como fez com o NDM Bahia (ex-Siroco), outro LPD que possui capacidade dual para realizar também missões humanitárias, com sua excelente estrutura hospitalar.

Nesse sentido, a Marinha do Brasil (MB) perdeu a oportunidade de comprar o irmão gêmeo do NDM Bahia, o “Foudre” que foi adquirido pela marinha do Chile e rebatizado de Buque Multipropósito “Sargento Aldea”. O Foudre realmente aumentaria a capacidade lançar Carros Lagarta Anfíbios (CLAnf) e embarcações de desembarque para conquistar uma cabeça de praia dominada por uma força inimiga em uma operação de assalto anfíbio.



Quando embarcamos no NDM Bahia, em 24 agosto de 2018, durante a missão de recepção do PHM Atlântico ao Rio de janeiro, o imediato do navio nos revelou que a tripulação já havia sido adestrada em todas as capacidades multi-propósitos, a saber: operações de lançamentos de ondas de viaturas anfíbiasCLAnfs” e de Embarcações de Desembarque (ED), e de porta-helicópteros (o navio pode operar simultaneamente até três aeronaves do porte do UH-15 e hangarar outros três. Realmente o NDM Bahia é um navio completo.

Tempos depois, a MB realizou mais uma compra de oportunidade, a nosso ver não prioritária, o HMS Ocean, um porta-helicópteros que aumentou a capacidade das asas rotativas da Força Aeronaval, mas não resolveu a restrições da Marinha na tarefa de projetar poder sobre terra, pois o PHM Atlântico não possui doca. De positivo, veio o radar Artisan que pode vetorar as aeronaves de ataque AF-1 (A-4), ou o que restou delas, para realizar ataques em uma das atividades básicas de projetar poder sobre terra: o bombardeio aeronaval com aeronaves embarcadas, apesar da MB não possuir mais porta-aviões.

Agora, a MB pode adquirir o navio da Marina de Guerra del Perú e terá a oportunidade de possuir um navio novo, o que é bastante dificil com orçamento que é diponibilizado pelo governo federal. Apesar do navio em sua versão para a Marinha da Indonésia estar melhor artilhada e possuir defesa antiaérea de ponto, com dois reparos duplos Simbad para mísseis “Mistral”, não observamos os mesmos integrados no Markassar peruano. Mas isso é um problema que pode ser facilmente contornado com a aquisição desse míssil ou de outro.

Concluímos que a aquisição parece boa e necessária, pois ajuda a Marinha a desempenhar uma das três tarefas do poder naval: projetar poder sobre terra na atividade das operações anfíbias. O que nos causa estranheza é notícia que vem sendo vinculada que o navio será utilizado como navio escola. Já as condições de aquisição devem ser analisadas a parte, pois possuem elementos que são difíceis de mensurar. Em compras de material bélico, interesses geopolíticos ganham grande peso e até mesmo a realidade emergente deve ser considerada.

Por Graan Barros

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