MARINHA DO BRASIL POSSUI A MAIOR FROTA DE CARROS ANFÍBIOS DO HEMISFÉRIO SUL

  • A Marinha do Brasil utiliza os Carros sobre Lagarta Anfíbios, provenientes dos Estados Unidos, em exercícios como a Operação Formosa. (Foto Alexandre Manfrim, Ministério da Defesa)

Os Carros sobre Lagarta Anfíbios AAV7A1 foram adquiridos a partir de acordos entre a Marinha do Brasil e a Marinha dos Estados Unidos desde 1986.

Até o mês de maio de 2019, 23 Carros sobre Lagarta Anfíbios (CLAnfs) do tipo veículo anfíbio de assalto 7A1 (AAV7A1, em inglês) do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) do Brasil vão ganhar um novo sistema de comunicação. As viaturas são provenientes dos Estados Unidos e foram desembarcadas em território brasileiro no final de 2018. O lote veio completar a frota de 26 CLAnfs usados pela Marinha do Brasil (MB) desde 1986.

Com um total de 49 unidades, a MB é a força naval com o maior quantitativo de veículos desse tipo em todo o hemisfério sul. Além de receberem um novo sistema de comunicação, os novos carros anfíbios aguardam a instalação do sistema acionador dos extintores de incêndio, que deverá ocorrer no início do segundo semestre de 2019.



A MB optou pelos CLAnfs AAV7A1 “em virtude da boa aceitação durante os empregos operativos dessas viaturas ao longo de mais de 30 anos como parte do CFN”, explicou o Capitão de Corveta do CFN Carlos Henrique Lussac Pinheiro, imediato do Batalhão de Viaturas Anfíbias, onde estão lotados todos os CLAnfs da MB. O oficial contou ainda que os Estados Unidos são os únicos fabricantes desse modelo de veículo e a boa relação do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA (USMC, em inglês) com o CFN do Brasil facilita a troca de conhecimentos sobre o emprego dessas viaturas. “Há uma interação constante entre o CFN e o USMC, que ocorre por meio de cursos e visitas, possibilitando assim a transferência de know-how para os militares brasileiros”, afirmou o CC Lussac.

Os CLAnfs foram projetados para executar movimentos navio-para-terra, segundo o qual se faz o lançamento de tropas de fuzileiros em uma praia com o objetivo de que esses homens avancem território adentro. Ao se empregar os CLAnfs nessas operações, têm-se a vantagem de oferecer proteção blindada à tropa no momento do desembarque.

“Esses veículos têm seu emprego primordial em condições de desembarque anfíbio”, contou o Capitão de Mar e Guerra Léo Pereira Santos, gerente de CLAnf do CFN. “Contudo, podem ser usados em diversas outras tarefas, como por exemplo em ações de garantia da lei e da ordem, como já ocorreu no Rio de Janeiro.”

Os carros anfíbios provenientes dos Estados Unidos foram desembarcados no Porto de Itaguaí e depois transferidos para o Batalhão de Viaturas Anfíbias, no Rio de Janeiro. (Foto: Marinha do Brasil)

Após os incrementos previstos nos novos veículos do Batalhão de Viaturas Anfíbias, os carros estarão aptos a operar com sua capacidade plena. Segundo o CC Lussac, é possível que já entrem em ação na Operação Dragão 2019, uma das maiores da MB. Realizado anualmente por volta do mês de novembro, o exercício envolve várias organizações e meios navais do CFN – dentre os quais os CLAnfs – em um treinamento de desembarque anfíbio. A Operação Dragão complementa com a parte marítima o treinamento feito pelos fuzileiros na Operação Formosa, realizada distante do mar.

Do antigo para o novo

Os primeiros CLAnfs adquiridos pela MB chegaram ao país em 1986. Foram 12 unidades nessa época. Onze anos mais tarde, em 1997, foram incorporados outros 14 carros desse modelo.

Um novo acordo entre as marinhas brasileira e norte-americana permitiu a aquisição de mais 23 viaturas anfíbias de combate. Segundo previsto nesse contrato, divulgado em 2015, os veículos foram configurados para o padrão de confiabilidade, disponibilidade, sustentabilidade/recondicionado e estandardizado (RAM/RS, em inglês). Os avanços do padrão AAV7A1 RAM/RS em relação ao anterior dizem respeito a aspectos como motor e tração mais potentes, atualização do sistema de suspensão e melhor capacidade de mobilidade. Duas unidades desse padrão foram enviadas ao Brasil em 2017 e mais 21 unidades em 2018.

Os 23 veículos são zero quilômetro, mesmo não sendo totalmente novos. O processo de construção dos CLAnfs AAV7A1 RAM/RS aproveitou os cascos de CLAnfs usados pela USMC. “A fabricação envolveu a retirada de todos os componentes de veículos antigos, permanecendo apenas o casco. A partir daí, foram introduzidos os componentes (peças) que integram o novo modelo RAM/RS”, contou o CMG Santos. “Essa mesma condição de reutilização de cascos antigos foi adotada pelos EUA, bem como por quase todos os países que optaram pela aquisição dos CLAnfs RAM/RS.”

Os novos CLAnfs da MB são de três tipos: comando e controle, transporte de pessoal e socorro, sendo quatro unidades do primeiro tipo, 42 unidades do segundo e três do terceiro. Os carros de comando e controle transportam o grupo de militares que comanda a operação, permitindo que suas tarefas sejam exercidas sob a proteção blindada. Os veículos de transporte de pessoal, como o nome sugere, servem para transportar a tropa que irá desembarcar para realizar diferentes objetivos em terra. Já as unidades de socorro servem para efetuar reboques e reparos em outras viaturas avariadas. Devido às características específicas dos carros sobre lagarta anfíbios, os veículos de socorro são fundamentais, porque somente eles conseguem desempenhar a tarefa logística de manutenção em combate.

Fonte: Diálogo

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