OPCW: NÃO HÁ EVIDÊNCIAS DE SARIN NO SUPOSTO ATAQUE QUÍMICO NA SÍRIA

  • Suposto ataque químico em Douma
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A OPCW, sigla em inglês para Organização para a Proibição de Armas Químicas divulgou o seu segundo relatório com análises das amostras de plasma e do material recolhido no local do suposto ataque com armas químicas na cidade de Douma, na Síria, ocorrido em 7 de abril de 2018. (Relatório completo aqui) O suposto ataque gerou indignação mundial e uma respospta militar por parte dos EUA e aliados europeus.

Agora, um ano depois, a OPCW trás a tona mais um relatório corroborando os dados do primeiro, que afirmava que não há indícios de ataque com armas químicas contra a população síria, que na época vivia no enclave de terroristas na reião de Douma.



O relatório afirma na seção 8.1 que:

Os resultados da análise das amostras priorizadas submetidas aos laboratórios designados pela organização em 22 de maio de 2018 e 8 de fevereiro de 2019, nenhum agente nervoso organofosforado ou seus produtos de degradação foram detectados, tanto nas amostrais ambientais quanto nas amostras de plasma do laboratório das alegadas vítimas.”

Outro ponto que levantou controvérsia e suspeita de fraude logo nos primeiros momentos, foi o cilindro que teria sido usado como bomba (barrel bombas*) pelo governo sírio. Nas fotos, o cilindro que tem 500 quilos aparece pousado sobre uma cama que parece estar intacta. Ora, segundo a denúncia ele foi lançado por um helicóptero do Exército Árabe Sírio que voa a cerca de 600 metros de altura, passou por um vão entrou pela janela, se dirigiu para a esquerda e pousou na cama. Vejam a foto:

Apesar dos indícios, os Estados Unidos, países europeus e a imprensa mundial foram categóricos em culpar o governo de Bashar Al-Assad pelo ataque. Na época, já havia forte suspeita de que os Capacetes Brancos, que é um grupo que se autoproclamou defesa civil da síria e que denunciou o suposto ataque ao Mundo, estaria em conluio com o grupo terrorista sunita, Tahrir Al-Shan (braço sírio da Al-Qaeda) para simular ou lançar um ataque do tipo e culpar o governo.

Logo, os EUA em aliança com a Grã-Bretanha e França organizaram um ataque conjunto para destruir o que eles chamaram de infraestrutura de produção de armas químicas do governo sírio. O fato é que desde a administração Trump os arsenais de armas químicas da síria foram destruídos em uma operação liderada pelos próprios EUA e ONU e observada por esses mesmos países.

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Mesmo assim, Donald Trump afirmou em 13 de abril de 2018 que:

Na sequência destes ataques com barril bombs, médicos e organizações de ajuda no terreno em Douma, relataram o forte cheiro de cloro e descreveram sintomas consistentes com a exposição ao [gás] sarin. Seguiu-se os sintomas descritos no relato da mídia, organizações não-governamentais (ONGs) e outras fontes – como miose (constrição pupilar), convulsões e disrupção do sistema nervoso central. Esses sintomas, além das dezenas de mortes e centenas de feridos relatados, mostram que o regime também usou sarin em seu ataque em 7 de abril.” (Veja o texto completo aqui)

Apesar de alguns especialistas militares terem posto em dúvida a opção tática de Assad em usar uma arma proibida contra a própria população, principalmente em um monte em que o seu exército já havia virado o jogo no conflito e ainda mais, que as potências mundias já o haviam ameaçado de atacar se algo do tipo ocorresse.

É bem verdade que foi um ataque bem atípico, onde o presidente Vladimir Putin e Donald Trump acordaram sobre quais alvos deveriam ser atacados. Na noite do ataque, as forças armadas sírias se retiram dos locais pré-acordados, não vendo assim baixas. No mar, meios navais de superfície e submarinos russos e norte-americanos travavam guerra eletrônica para dificultar o ataque.

Apesar desse novo relatório que corrobora o primeiro, descartando o uso de armas químicas pelo governo sírio, os meio de comunicação que em 2018 não deram direito ao contraditório, nem a chance de defesa por parte do governo sírio, ignoram os fatos descobertos pela OPCW e não divulgam uma linha sequer sobre o assunto.

Por Graan Barros

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