ORDEM DO DIA: DIA DA INFANTARIA DA AERONÁUTICA

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Leia a Ordem do Dia alusiva ao Dia da Infantaria da Aeronáutica

Criada no ano em que se institucionalizou o Ministério da Aeronáutica, nossa Infantaria surgiu como uma resposta às ameaças de um mundo convulsionado pela Segunda Guerra Mundial. Aquele conflito conferiu ao Poder Aéreo um papel de maior preponderância nas operações militares e, como consequência das lições apreendidas nos campos de batalha, foram criadas e ativadas em 1941, as primeiras Companhias de Infantaria de Guarda. Desde aquele momento, justificava-se o lema “Defendendo na Terra, o Domínio do Ar”.

Durante o período de beligerância, a estratégia das campanhas militares do Eixo e dos Aliados passou a depender da obtenção da Superioridade Aérea para permitir a liberdade de manobra e apoio ao emprego das forças de superfície. Tal cenário estimulou a condução de ataques aéreos, aeromóveis e terrestres contra bases aéreas e aeronaves ali estacionadas. Grande pensador do Poder Aéreo, Giulio Douhet previu tal situação afirmando em sua obra, o Controle do Ar que seria “mais fácil destruir os ovos de pássaros em seus ninhos do que caçá-los pelos céus”.



Desde então, a história registra um crescimento exponencial nas incursões desencadeadas com o propósito de interditar, em terra, o Poder Aeroespacial. Aquelas ameaças atingiram seu clímax no Conflito do Vietnã, onde, aproximadamente, mil e quinhentas aeronaves norte americanas foram destruídas ou seriamente avariadas em seus aeródromos. As enormes perdas enfrentadas pelos Estados Unidos somente puderam ser reduzidas a partir do momento em que sua Força Aérea estabeleceu uma tropa para proteger seus aeródromos, empregando táticas adequadas em contraposição aos guerrilheiros vietnamitas.

Mesmo em nossa região, o resultado da Guerra das Malvinas também foi influenciado pela vulnerabilidade de aeronaves argentinas estacionadas na Ilha de Peeble, oferecendo um alvo valioso aos comandos britânicos. Naquele conflito, noticiaram também casos de fratricídios, os quais resultaram na perda de aeronaves e tripulantes, derrubados equivocadamente por forças terrestres e navais beligerantes.

Considerando os prejuízos causados pela inexistência ou precariedade da capacidade para proteger o Poder Aeroespacial Brasileiro, em 1982, o Excelentíssimo Senhor Ministro da Aeronáutica, Tenente Brigadeiro do Ar Délio Jardim de Mattos, determinou que oficiais passassem a ser formados pela Academia Força Aérea. Adestrados para assumirem atividades inerentes à Autodefesa de Superfície, Defesa Antiaérea e Operações Especiais, aqueles jovens idealistas ajudaram a criar uma identidade apropriada à Infantaria da Aeronáutica.

Em 2012, a Doutrina Básica da Força Aérea Brasileira definiu os papéis para a Infantaria da Aeronáutica, exigindo transformações estruturais e organizacionais, resultando na ativação dos Grupos, Esquadrões, Esquadrilhas e Elementos de Segurança e Defesa. Responsáveis pela proteção permanente do Comando da Aeronáutica, aquelas Unidades são empregadas em diversas missões reais, das quais se destacam as operações para a Garantia da Lei e da Ordem em cidades brasileiras como o Rio de Janeiro, São Paulo, Vitória e Natal. O valor dos nossos infantes também foi internacionalmente enaltecido por ocasião do profissionalismo junto à Organização das Nações Unidas.

Digna de destaque, a ativação da Primeira Brigada de Defesa Antiaérea conferiu, pela primeira vez à Infantaria da Aeronáutica, o comando e o controle especializados para o exercício de uma capacidade extremamente complexa e de grande relevância para o Poder Aeroespacial. Recém transferido para as instalações do Gama, o Quartel-General daquela Grande Unidade proporciona maior precisão e agilidade para a condução dos assuntos doutrinários, operacionais e logísticos. Tal estrutura também oferece um melhor assessoramento a questões mais complexas como a implantação de sistemas antiaéreos de longo alcance na Força Aérea.

No contexto das operações especiais, a construção de um local apropriado para treinamentos permitirá ao Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento capacitar seus integrantes, com vistas à execução de diversas Ações de Força Aérea. A partir deste ano, diversos militares do PARASAR usufruirão meios especialmente construídos, visando às missões de Busca e Salvamento em Combate e, ainda, para prover seu adestramento na neutralização de objetivos inimigos, na contenção de ameaças terroristas e no Guiamento Aéreo Avançado.

Infantes de ontem, de hoje e de sempre! Não se deixem iludir pelo cenário de paz e tranquilidade que vivenciamos em nosso continente, nem pela necessidade de participarmos em ações subsidiárias em prol da sociedade brasileira. Não obstante essa realidade e independentemente das restrições orçamentárias vigentes, estarmos prontos para a Guerra constitui a razão de existirmos.

Tenham em mente as dificuldades superadas desde os primórdios da Infantaria da Aeronáutica e continuem a promover as mudanças essenciais ao cumprimento do nosso lema institucional: “Controlar, Defender e Integrar. Força Aérea Brasil”.

Tenente-Brigadeiro do Ar Antonio Carlos Egito do Amaral
Comandante de Preparo

Fonte: COMPREP

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