O GATILHO NERVOSO DE ISRAEL

Uma aeronave de ataque SU-22M4 da Força Aérea Árabe da Síria foi derrubada por um míssil do sistema Patriot PAC-2 das Forças de Defesa de Israel (IDF) no dia de hoje, enquanto realizava ataques contra posições terroristas em Sayda, no sul do país, em um incidente que se assemelha muito a outros que vamos abordar durante o texto.

Nas últimas semanas, as forças Sírias estão realizando a Operação Basalto, que visa eliminar os últimos focos terroristas no Sul do país, entre eles: posições do Exército Livre da Síria (FSA), do Tahrir Al Islam e, principalmente, do Daesh (Estado Islâmico) que ocupa um enclave na região vizinha as Colinas de Golã há pelo menos quatro anos sem ser incomodado por Israel.

Durante esses confrontos, dada a pequena distância que separa os dois países, a possibilidade de um projétil de artilharia desgovernada atingir o território israelense ou de uma aeronave precisar violar, mesmo que momentaneamente, o espaço aéreo alheio enquanto tenta se evadir de um engajamento de um míssil antiaéreo, é enorme.

A Rússia quando iniciou as operações aéreas na região em apoio a Síria se reuniu com o alto escalão israelense para criar protocolos que evitassem o engajamento de aeronaves russas quando estás entrassem no território israelense nesse tipo de situação. Isso evitou muitos problemas, já que incidentes como o de hoje ocorreram com aeronaves russas, fato confirmado pelo Ministro da Defesa Moshe Ya’alon [1], entretanto, sem o desfecho dado ao SU-22 sírio que foi abatido. Será que os israelenses acharam de fato que uma única aeronave síria (de 3ª geração) violaria o espaço bem protegido de Israel para realizar algum ataque? Penso que não!

Em relação a projéteis de artilharia, pelo menos dois casos divulgados pelo prestigiado jornal israelense “The Jerusalem Post” comprovam esse gatilho nervoso e desnecessário do lado israelense. Em dois momentos [2] [3] as IDF retaliaram obuses que caíram em áreas desabitadas das Colinas de Golã. Sabidamente eram oriundos dos combates entre o exército regular da Síria e terroristas que ocupam a região. O desfecho foi o mesmo: as IDF retaliaram atingindo somente o exército sírio.

Apesar de nunca ter admitido publicamente o Estado de Israel vem sim, intervindo e influenciando nos rumos do conflito sírio. Não há somente a ajuda humanitária que tanto propaga e que serve mais como “Low Force”. Como atestou o The Wall street Journal, Israel financia com dinheiro e armamentos diversos grupos jihadistas sunitas.[4]

[1] https://www.haaretz.com/israel-news/.premium-israeli-defense-minister-russia-also-violated-our-airspace-1.5428107

[2] https://www.jpost.com/…/IDF-fires-at-Syrian-army-positions-…

[3]https://www.jpost.com/…/Israel-targets-Syrian-artillery-sit…

[4]https://www.wsj.com/…/israel-gives-secret-aid-to-syrian-reb…

Por Graan Barros

Publicado originalmente na nossa página do Facebook em 24/07/2018.

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