AS REAÇÕES DA IMPRENSA DIANTE DAS AMEAÇAS DE INTERVENÇÃO MILITAR

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    Brasília - O presidente Michel Temer e a primeira-dama Marcela Temer durante desfile de 7 de Setembro, na Esplanada dos Ministérios (Wilson Dias/Agência Brasil)

Aos poucos a imprensa brasileira marca posição em mais uma crise institucional instaurada no Brasil, não em editoriais, mas através de alguns jornalistas em seus blogs pessoais. Desta vez, porém, a crise não foi provocada pelo Legislativo, Executivo ou Judiciário, veio da Caserna, dos militares e mais precisamente de um conhecido general brasileiro, Antônio Hamilton Martins MOURÃO.

Em um evento da Maçonaria, perguntado se o Exército Brasileiro poderiam realizar uma intervenção militar no Brasil, Mourão respondeu: “Ou as instituições solucionam o problema político, pela ação do Judiciário, retirando da vida pública esses elementos envolvidos em todos os ilícitos, ou então nós teremos que impor isso.”

O Comandante do Exército Brasileiro, General Eduardo Villas Bôas que tem a autoridade para responder pela instituição, não deu explicações à sociedade sobre as declarações no tempo necessário, nem repreendeu Mourão. Em um segundo momento, tentou eximir o Exército de culpa afirmando que as declarações do General Mourão não representam a posição da força.



Há dois dias, Pedro Bial convidou o General Eduardo Villas Bôas para participar do seu programa. Durante a entrevista, que poderia vir a ser uma ótima oportunidade para Villas Bôas botar ordem na casa e retomar a disciplina e a hierarquia quebrados por Mourão o comandante acabou endossando a visão de general de que a Constituição Brasileira dá margens a golpes.

Esse não é o primeiro problema com militar, em 2015, após sugerir homenagens ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe do órgão repressor da ditadura militar, fazer declarações contra a ex-presidente da República, Dilma Roussef e a classe política em geral, o Ministro da Defesa puniu Mourão retirando dele o Comando Militar do Sul

Como foi dito antes as matérias estão saindo aos poucos, como a do jornalista Kennedy Alencar que também trabalha no SBT. Com a manchete: “Comandante do Exército reinterpreta Constituição com viés golpista”, Alencar falou da crise iniciada por Mourão. [1]

Segundo o jornalista, as explicações dadas pelo comandante do Exército Brasileiro não amenizaram a fala do General Mourão. O jornalista usou um conhecido ditado para definir o efeito contrário provocado por Villas Bôas: “ A emenda saiu pior que o soneto.” Interessante, que durante a campanha eleitoral o comandante do Exército fez comentários qualificando os que queriam a volta dos militares ao poder de idiotas!

Kennedy Alencar citou a Carta Magna para mostrar que o EB não é uma instituição autônoma, mas que segue uma hierarquia que tem na figura do presidente da República a autoridade máxima:

As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem. [2]

Ontem e hoje, a jornalista Míriam Leitão também publicou em seu blog matérias sobre a crise provocada pelo General Mourão. Na matéria de hoje, Leitão parece ter encontrado o motivo de não ter havido qualquer punição autorizada pelo presidente da república, Michel Temer.

O governo de Temer, claramente, tem medo dos militares. Eles ficaram de fora da proposta de reforma da Previdência. O reajuste deles não foi adiado. A questão agora é mais grave. O assunto era dinheiro e passa a ser o governo do país. O poder civil não pode se acanhar diante dos militares.[3]

Um dos motivos que a matéria de Leitão ganha relevância é a perseguição que jornalista sofreu dos militares, sendo torturada.[4] Embora hoje, tenha posição política anti-esquerda e um visão liberal de como deve ser a condução econômica do país, ela não poderia fechar os olhos para o tema.

Devemos ter em mente que as críticas são a alguns posicionamentos de alguns setores do EB e não a instituição como um todo. O trabalho realizado pelo exército é inestimável, seja na sua atividade fim, como na área de infraestrutura, realizando obras que deveriam ser feitas pelo governo federal. Creio que ninguém em sã consciência quer que os guardiões de nossa soberania estejam mal armados, mal pagos ou desestimulados, muito pelo contrário. Entretanto, cada instituição tem o seu papel e o das FFAA não é governar!

Graan Barros

[1]http://www.blogdokennedy.com.br/comandante-do-exercito-reinterpreta-constituicao-com-vies-golpista/

[2]http://blogs.oglobo.globo.com/miriam-leitao/post/governo-temer-nao-teve-coragem-de-enquadrar-o-general-mourao.html

[3]https://oglobo.globo.com/brasil/miriam-leitao-fala-sobre-tortura-que-sofreu-nua-gravida-de-1-mes-durante-ditadura-13663114

 

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