VIAGEM DA PRESIDENTA DILMA AOS EUA TRARÁ MUDANÇAS NA DIPLOMACIA BRASILEIRA? E COMO FICAM OS BRICS?

 
O Wikileaks, coincidindo com o último dia da viagem oficial da presidenta Dilma Roussef, a convite do Governo Obama a Washington,  divulgou novos documentos sobre a espionagem praticada pelos Estados Unidos através da sua agência NSA ao Brasil. O cerimonial de recepção à Dilma foi igual ao dado aos principais aliados dos EUA, ou seja, tudo foi feito para que a visita encerrasse o mal estar provocado pela espionagem americana.
Nessa nova leva de documentos pode-se ter uma dimensão maior de qual o interesse de Washington em espionar o Brasil, país considerado aliado pelos próprios americanos. Todo o alto escalão do Governo Dilma Roussef, incluindo ela mesma, passando pelos ministros da Casa Civil e o do Planejamento, tiveram seus telefones grampeados, mostrando através desse último, que talvez haja um interesse maior nas ações do governo brasileiro na economia.
O Wikileaks, através de um dos seus representantes, respondeu ao Globo News que as escutas alcançaram todo o primeiro mandato do governo Dilma Roussef, mas que ainda não há condições de se afirmar se a prática ainda permanece nesse segundo mandato.

Até a redação desse artigo, o Governo Brasileiro ainda não havia se pronunciado sobre essas novas evidências de espionagem por parte dos americanos, mas o constrangimento é evidente, e para os dois lados, pois durante a estadia nos EUA, o governo brasileiro e americano assinaram importantes parcerias na área ambiental, econômica e de defesa. O clima entre os dois chefes de estado foi de grandes gentilezas.

BRICS
Mas uma importante e talvez radical mudança na diplomacia, que para alguns já foi reflexo da visita aos EUA, foi o voto a favor, juntamente com os EUA e países europeus de uma resolução que condena tanto o governo Bashar Al-Assad quanto os grupos terroristas que tentam a 4 anos derruba-lo do poder. A diplomacia brasileira vinha sempre se abstendo o que de certa forma atendia a posição da Rússia, principal nação aliada do governo sírio e a China.
 
Foto: Aleksey Druzhinin
Porém, é muito cedo para dizer se esse voto trará alguma consequência maior e negativa para as relações entre Brasil e os outros membros do conjunto de nações conhecidas como BRICS. Esse tipo de postura, entretanto, pode denunciar a que grau de comprometimento o Brasil quer ter com esse bloco de países, que desejam formar mais do que uma mera sigla, mas um verdadeiro bloco, tanto na área econômica, com a criação de banco único até ações em conjunto na área da defesa.
Talvez a esfera de interesses e problemas do Brasil, não seja a mesma dos outros membros do grupo como a Rússia e China, que são importantes atores globais e que têm ambições hegemônicas, mas seja somente em termos econômicos, na procura de novos mercados para sua economia. Pelo menos por enquanto.
Graan Barros
03.07.2015

 

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