COMO É FEITA A NAVEGAÇÃO DOS SUBMARINOS

Dois submarinos da Marinha do Brasil retornando a Base de Submarinos da Ilha de Mocanguê.
 
A navegação de um submarino é algo muito mais complexa que o imaginado. Geralmente é pensado que o submarino é guiado unicamente pelos dados fornecidos pelo sonar, mas não é bem assim. A navegação é feita por uma integração de instrumentos que vão da simples carta náutica ao citado sonar. Para que um submarino inicie uma comissão (missão com fins militares) é necessário que os seus tripulantes: oficiais e praças, tenham conhecimento de uma série de informações sobre a rota que vai ser seguida (derrota), correntes marinhas e, principalmente, conhecimento da topografia oceânica, porque o fundo do mar não é plano, mas possui vales e grandes montanhas, que podem se tornar obstáculos bastante perigosos.
 
O início da derrota é feito com o submarino ainda na superfície, navegando como um navio (foto do topo). Para exemplificar, podemos usar a Baia da Guanabara na cidade do Rio de Janeiro. Da base Naval localizada na Ilha de Mocanguê em Niterói, onde o submarino suspende (desatraca) até a saída da Baia, o submarino navega por águas com profundidade máxima de 52 metros, o que pode ser aferido pelas cartas batimétricas e pelo próprio ecobatímetro. Nesse momento o comandante fica na ponte ou passadiço, recebendo dados do radar que pode seu um simples Furuno. 
 
O radar é um sensor tático ativo, normalmente utilizado por meios aéreos e de superfície (terrestres ou navais) para localizar e trackear alvos. Em um submarino, é utilizado nessa fase, apenas para auxiliar a navegação nas manobras de saída e entrada de porto. No caso específico da Baia da Guanabara é essencial para monitorar o tráfego intenso, onde há passagens de navios mercantes e embarcações de transporte de passageiros. O motivo para não ser usado quando o submarino está submerso é logicamente, a não propagação de ondas eletromagnéticas na água.
 
Por isso, o meio mais eficiente de navegação é o inercial (INS). Esse tipo de navegação funciona usando as leis de Newton e princípios de Schueler. Sua principal vantagem é, sobretudo, de não precisar de dados externos, necessitando apenas de giroscópios e acelerômetros que fornecem posição, rumo do meio onde se encontram instalados. O sistema de navegação inercial é passivo, pois não emite sinal algum que possa ser detectado do exterior. Sabe-se que a tática de um submarino convencional consiste em “entrar em posição” em “áreas de interesse” nas rotas marítimas e aguardar, em total silêncio sonar, para atacar os alvos.
No alto da vela do submarino também se localizam os mastros com os periscópios, o snorkel (que é o responsável pela renovação de ar) e as antena de EW e rádio.
 
Com esse texto breve, podemos entender o porquê de o submarino ser considerado o instrumento de guerra mais complexo e eficiente da atualidade. Toda essa eficiência foi alcançada através do desenvolvimento de sensores passivos que o tornam praticamente indetectável quando submerso.
Graan Barros
Fontes:
MIGUENS, Altineu Pires. Navegação: A ciência e arte. Rio de janeiro: Marinha do Brasil. ?
Site: navioseportos.com.br
Site: veleiromaracatu.com.br
IPqM

 

Marinha do Brasil
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