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O GEPARD EM OPERAÇÕES DE “GUERRA” E “NÃO GUERRA”

 
 
A Viatura Blindada de Combate de Defesa Antiaérea (VBC DA Ae) Gepard 1A2, assim designada pelo Exército Brasileiro, foi adquirida dentro do Projeto Estratégico do Exército – Defesa Antiaérea (PEE DA A) e tem por objetivo prover Defesa Antiaérea (DA Ae) as Brigadas de Infantaria e Cavalaria Blindadas, localizadas no Sul do Brasil. Esse objetivo, de proteger a Força Terrestre, difere daquele divulgado pela imprensa não especializada, que prefere atribuir as aquisições exclusivamente à necessidade de proteger Arenas Esportivas na época da Copa, o que na verdade, é um objetivo apenas secundário.

As Brigadas Blindadas são todas as organizações do Exército que possuem blindados com tração sobre Lagartas no seu inventário como os Carros de Combate (CC). Por serem de grande importância no combate moderno, pelo seu poder de fogo, ação de choque e mobilidade tática os CC são alvos prioritários para as aeronaves inimigas e por isso mesmo, precisam de proteção AAe. 

No caso específico do Brasil, as viaturas blindadas que precisam dessa proteção são os cerca de 240 (CC), Leopard 1A5 que chegaram em 2011, adquiridos pelo Governo Federal e as Viaturas Blindadas de Transporte de Pessoal (VBTP), M113B. Sendo assim, com a aquisição dos Gepards, as Brigadas passam a contar com uma DA AAe orgânica denominada Bateria Antiaérea Autopropulsada (Bia AAAe AP).
 
Como se divide uma Bateria Antiaérea Autopropulsada.
 
Em várias oportunidades, mostramos como são divididas as Baterias nos diversos Grupos de Artilharia Antiaérea (GAAAe) que são subordinadas a 1ª Brigada de Artilharia Antiaérea do Exército Brasileiro. Tanto as que operam canhões Bofors 40 mm (2º, 3º, 4º e 11º Grupos) ou canhão Oerlikon 35 mm (material totalmente desatualizado e presente somente no 1º GAAAe, localizado na cidade do Rio de Janeiro ou as baterias que operam material mais moderno como os mísseis IGLA-S, presentes atualmente em todos os Grupos. Não incluímos, logicamente, o Sistema RBS-70 de procedência Sueca, incorporado recentemente, e que teve sua aquisição divulgada com exclusividade por nós, em agosto de 2013.

 
As Baterias Antiaéreas Autopropulsadas, Gepard por sua vez possuem quatro (4) Seções. Cada Seção é composta por quatro (4) Unidades de Tiro. A unidade de tiro nesse caso é a própria VBC DA AAe Gepard que conta com dois canhões Oerlikon 35 mm com cadência de 1100 tpm (550 tiros AAe para cada tubo). Não confundir cadência de tiro com capacidade de armazenamento de munição, pois o Gepard carrega 640 tiros AAe (320 em cada tubo) e 40 tiros terrestres (20 em cada tubo) para autodefesa contra outros blindados. Em um primeiro momento podemos achar pouco, mas sabendo que uma rajada compreende entre 20 e 40 tiros, revemos o pensamento equivocado.
 
Recentemente, o Exército Brasileiro recebeu um carregamento de aproximadamente meio milhão de projeteis (ver aqui).
 
 
 
Gepard: Uma Viatura integrada aos Sistemas Nacionais
 

 

As VBC DA Ae Gepards podem atuar autonomamente, pois possuem montado em seus chassis (Leopard 1): um radar de busca, um radar de direção de tiro e a própria unidade de tiro que realizará o disparo. Porém, o Gepards podem operar também em integração sistêmica aos recentes avanços da indústria bélica nacional como o RADAR SABER M-60 e o Centro de Operações Antiaéreas (COAAAe), ambos desenvolvidos pela Bradar e Centro Tecnológico do Exército (CTEx).  O SABER M-60, por exemplo, pode monitorar 40 alvos a 60 Km de distância o que amplia a detecção do RADAR de busca do Gepard que possui um alcance de apenas 15 Km.
 
Operações de Não Guerra
 
As Operações de Não Guerra se caracterizam pelo uso dos meios das Forças Armadas para proteção de autoridades e público em geral, na realização de grandes eventos de natureza política (Visita de chefes de Estado), cultural e esportiva, contra ameaças assimétricas. Essas ameaças podem ser oriundas de grupos extremistas religiosos e insurgentes com motivação separatista, etc.

Os Gepard realizaram pela primeira vez a Defesa Antiaérea em eventos esportivos na Copa das Confederações em 2013 no Rio de Janeiro. As Viaturas, nesse contexto, operam estáticas e dispostas em círculo, o que alias, até beneficia a pontaria, pois o Gepard somente efetua adequadamente os disparos quando está parado. Nesse caso, o que difere de uma operação de proteção a uma coluna de blindados é somente a disposição. 
 
Em relação a autorização para abate, somente na véspera da abertura da Copa do Mundo de 2014 foi autorizada pela presidenta Dilma Roussef, através do Decreto nº8265 de 11 de junho de 2014 a derrubada de aeronave hostil que invada espaço aéreo restrito. Antes, somente aeronaves suspeitas de carregar ilícitos que sobrevoassem o espaço aéreo da fronteira poderiam ser interceptadas e abatidas pela FAB.
A decisão de abater é bastante delicada, pois envolve o risco de matar inocentes. Pode haver erro de julgamento, mesmo que o Controle de Tráfego Aéreo não tenha recebido nenhuma resposta da série de perguntas que precedem a autorização de abate. É o chamado fratricídio, que geraria comoção pública e grandioso desgaste da imagem do Governo Federal.
 
 
Uma VBC DA Ae Guepard 1A2 em posição de tiro nas proximidades da Arena Maracanã, durante a Copa das Confederações no Rio de Janeiro, em 2013. Foto: EsACosAAe
 
 
 
Fontes de Pesquisa:
EsACosAAe
JusBrasil
KMW
BRADAR
 
Graan Barros
 
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