TV RUSSA ACUSA MOVIMENTO UCRANIANO DE CONTRATAR ATIRADORES

Canal Russia Today cita um telefonema alegadamente pirateado entre a líder da política externa da UE e o ministro dos Negócios Estrangeiros da Estónia.


Pedro Cordeiro 15:35 Quarta feira, 5 de março de 2014

O canal televisivo russo Russia Today noticiou, esta manhã, que os atiradores que atingiram vários manifestantes e agentes da polícia na Praça da Independência (Maidan, em ucraniano) – em Kiev, no fim de fevereiro – foram contratados pelos líderes dos protestos contra o Governo pró-russo.

A acusação terá sido comunicada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros da Estónia numa chamada telefónica com a representante de política externa da União Europeia, a baronesa Catherine Ashton.

“Há um entendimento cada vez mais forte de que por detrás dos atiradores não estava [o Presidente ucraniano entretanto deposto] Ianukovitch, mas alguém da nova coligação”, ouve-se o ministro Urmas Paet dizer, ao telefone, a Ashton.

“Penso que queremos investigar. Ou seja, não tinha percebido isso. É interessante. Bolas!”, responde a baronesa. O áudio da alegada chamada, que cobre outros assuntos ligados à Ucrânia, tem cerca de 10 minutos e está disponível  no sítio de vídeos YouTube.

A conversa telefónica terá sido intercetada por piratas informáticos. Segundo a Russia Today – um canal informativo russófono de difusão mundial, financiado pelo Estado russo -, a escuta terá sido feita a mando de serviços secretos leais a Viktor Ianukovitch, que entretanto fugiu para a Rússia. O Expresso não conseguiu confirmar a sua autenticidade nem encontrou referências à notícia nos principais jornais mundiais.

Manifestantes antigoverno atacam um homem suspeito de ser um dos 'snipers' responsáveis por muitas das mortes registadas durante os confrontos com as autoridades ucranianas, em Kiev
Manifestantes antigoverno atacam um homem suspeito de ser um dos ‘snipers’ responsáveis por muitas das mortes registadas durante os confrontos com as autoridades ucranianas, em Kiev.
Baz Ratner/Reuters

O ministro estónio esteve na Ucrânia a 25 de fevereiro, numa semana particularmente violenta na capital do país. Encontrou-se com o presidente do Parlamento ucraniano e com o líder do Partido das Regiões, o de Ianukovitch. Concluiu que era urgente formar um novo Governo para a Ucrânia, e exprimiu isso mesmo na rede social Twitter.


O testemunho da médica 

Paet terá falado também com uma médica que prestou assistência aos feridos da Praça Maidan. Foi esta, Olga Bogomolets, que lhe disse que os feridos do lado dos manifestantes pró-europeus e das forças da lei eram vítimas dos mesmos atiradores, o que o estónio achou “perturbador”. O ministro e Ashton exprimem, no alegado telefonema, preocupação com a credibilidade das novas autoridades ucranianas.

“Todos os indícios mostram que as pessoas que foram mortas por atiradores eram ambos os lados, entre eles polícia e gente que estava na rua. E foram os mesmos atiradores que mataram pessoas de ambos os lados”, diz o ministro a Ashton. Do outro lado da linha, a britânica reage: “Isso é terrível”.

“Ela também me mostrou fotos e disse que, enquanto médica, pode afirmar que se tratava do mesmo tipo de balas. É realmente perturbador que a nova coligação [no poder na Ucrânia] não queira investigar o que aconteceu ao certo”, lastima o ministro.

Fonte: Expresso
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