GRÉCIA INVESTIGA SUBORNOS ALEMÃS EM NEGÓCIOS DE CARROS DE COMBATE E SUBMARINOS

Grécia investiga subornos alemães em negócios de tanques e submarinos
Foto: Chris Wattie, Reuters
 
Um alto funcionário do Ministério da Defesa grego confessou ter recebido 8 milhões de euros em subornos, grande parte dos quais da indústria bélica alemã, para favorecê-las em negócios de carros de combate e de submarinos. A oposição quer chamar ao parlamento o ministro da Defesa e suspeita de uma influência duradoura dos corruptores sobre as encomendas militares gregas.
 
O funcionário, identificado pelo Süddeutsche Zeitung (SZ), como Antonios Kantas, dirigiu de 1992 a 2002 a seção de armamento do Ministério da Defesa grego. Foi detido em meados de Dezembro, depois de a polícia ter verificado a existência de milhões de euros, de proveniência não esclarecida, em contas secretas que tinha.
 
Carros de Combate, submarinos e sistemas antiáereos
 
Interrogado, Kantas admitiu que aceitara subornos na ordem de 8 milhões de euros, dos quais 3,2 milhões de proveniência alemã. Estes tinham sido pagos por três multinacionais do ramo do armamento – a Rheinmetall, a Atlas e a Kraus-Maffei Wegmann.
Para a polícia grega, a pista mais quente é a da Klaus-Maffei, que terá pago milhões para vender 170 unidades do seu carro de combate “Leoopard-2” ao exército grego. Nesse negócio terá faturado, segundo o SZ, 1.700 milhões de euros – uma quantia respeitável para um país, como a Grécia, sufocado pelo déficit.
Para a Justiça alemã, em processo iniciado pela procuradoria da Justiça de Bremen, a informação apurada diz respeito principalmente às outras duas corruptoras – a Rheinmetall e a Atlas, que conseguiram com os subornos favorecimento substancial para os seus produtos na área dos submarinos da classe “Poseidon” e dos sistemas de defesa antiaérea “Asrad”.
Também para a Justiça alemã, um outro processo tinha-se concluído em 2011 com a condenação de dois gestores da Ferrostaal, por terem subornado responsáveis gregos e portugueses.
 
Portugal e a Ferrostaal
 
A Portugal haviam sido vendidos, segundo Der Spiegel, dois submarinos, pelos quais os gestores da Ferrostaal pagaram subornos. Um suborno que se considerou provado foi o de dois milhões de euros ao então cônsul honorário de Portugal em Munique, Jürgen Adolf – que no entanto não poderia, nessa função, influenciar decisivamente a adjudicação de uma encomenda.
Em consequência do processo, os dois gestores da Ferrostaal foram condenados em penas de prisão remíveis em dinheiro – quantias relativamente modestas, de 18.000 e 36.000 euros respectivamente. Tendo em conta as suas idades avançadas – 73 anos – não tiveram de cumprir prisão efetiva. Já a firma teve de pagar uma multa de 140 milhões de euros e acabou, em consequência de dificuldades agravadas com o desfecho do pleito judicial, por ser vendida a uma empresa de capitais árabes, sediada no Abu Dhabi.
 
Implicação de políticos gregos
 
O caso agora investigado pela polícia grega promete continuar a dar que falar. O funcionário Antonios Kantas confessou a aceitação de subornos no valor de 8 milhões de euros, mas a polícia tinha encontrado 14 milhões nas suas contas secretas. Kantas acabou por declarar que, desde 1989, tinha recebido 15 milhões em subornos.
Por outro lado, as empresas alemãs comprometidas pelo declarante negam ter efetuado pagamentos. Mas foi uma busca na filial da Rheinmetall em Atenas que pôs a polícia no encalço das contas secretas e da prolongada atividade de Kantas.

 

As ramificações do processo de corrupção atingem mais do que um alto funcionário do Ministério. O antigo ministro da Defesa Akis Tsochatzopoulos foi condenado a 20 anos de prisão por corrupção passiva, ao passo que o seu sucessor Jannos Papntoniou se viu também denunciado por Kantas, nas declarações prestadas à polícia. A corrupção é, segundo Kantas, transversal aos vários partidos que têm governado o país. A oposição quer ouvir no parlamento o atual ministro, Dimitris Avramopoulos.
 
Fonte: RTP
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