NOVA DIPLOMACIA RUSSA

A manobra da Rússia convencendo o governo Sírio a entregar o seu arsenal químico e assinar o Tratado de Não-Proliferação de Armas de Destruição em Massa mostra uma postura inteligente e hábil da diplomacia russa. Postura essa que pode dar força as futuras ações dos russos no Oriente Médio com outro aliado importante: o Irã.

A situação do governo sírio estava ficando cada vez mais complicada, já que a justificativa para um ataque militar americano, ou seja, o uso de armas químicas, realmente aconteceu. Esse fato caiu como uma luva para os americanos. Acontecimento providencial e ao mesmo tempo muito suspeito. Por que Bashar Al-Assad usaria de um artifício que levaria a comunidade internacional a se voltar contra ele?

Há dois anos, em setembro de 2011, o chanceler russo Sergei Lavrov já alertava ao mundo que o “enredo iraquiano” aplicado pelos EUA e aliados não se repetiria com a Síria. A afirmação de Lavrov foi feita a diversos representantes do BRICS em uma reunião na Rússia onde estava o ex-ministro das relações exteriores brasileiro, Antonio Patriota.

A Rússia passou décadas perdendo influência no mundo até mesmo nas suas ex-repúblicas. Tudo por culpa de governantes¹ fracos e influenciados por uma visão que privilegiava o capital externo e a globalização. Situação que também foi vivida por diversos países do 3º Mundo, inclusive o Brasil. Hoje, a atual Rússia almeja retomar a importância que tinha no cenário internacional, mas a situação atual é outra. A ascensão da vizinha China pode empalidecer o da aliada, Rússia.

Graan Barros

¹ “Uma lebre quando estiver adulta nunca será um lobo ou leão. Não importa a inteligência que tiver, será sempre uma lebre.” Ministro russo comparando Mikhail Gorbachev (lebre) e Boris Yeltisin (lobo ou leão).

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