NACIONALIZAÇÃO DA PETROBRÁS PELA BOLÍVIA – UM ASSUNTO RECORRENTE

O assunto da nacionalização da Petrobrás pela Bolívia voltou a tona com a intempestiva solução do diplomata brasileiro Eduardo Saboia que resolveu por conta própria, quebrando qualquer noção de hierarquia, trazer ao Brasil um senador boliviano acusado de vários crimes em seus país. Há os que aproveitam o momento para colocar o diplomata brasileiro como um herói. Aliás, mais um para o imaginário brasileiro.

Quando a Petrobrás foi nacionalizada pelo governo de Evo Morales da Bolívia foram muitos os que se indignaram com a suposta passividade do Governo brasileiro. Na época acusaram a diplomacia brasileira de colocar os interesses brasileiros abaixo do projeto de integração da América do Sul proposto pelos governos Lula e depois seguido por sua sucessora, a presidente Dilma Roussef.

O modo como foi feita a nacionalização do petróleo é que foi controverso. Usar tropas do exército boliviano para cercar as refinarias da Petrobrás, foi um ato agressivo e desnecessário contra uma nação amiga. Entretanto, não podemos discutir o direito da Bolívia ou de qualquer outra nação de controlar a exploração das suas fontes energéticas.  Logicamente, o processo deve ser seguido por compensações, já que houve quebra de contrato.
O fato curioso, entretanto, é o uso político que alguns vêm fazendo desse caso e principalmente as meias verdades que são propagadas. Esquecem os críticos de dizer que o processo de nacionalização da Bolívia foi muito mais amplo e atingiu várias empresas europeias. Podemos citar o setor elétrico que na Bolívia era controlado pelos espanhóis. A Electropaz e a Elfeo, por exemplo, eram subsidiárias da gigante espanhola Iberdrola. Já em 2010 foi a vez da inglesa Rurelec e da francesa GDF Suez serem estatizadas.
A resposta aos críticos é simples. Se empresas de outros países também foram nacionalizadas por Evo Morales, inclusive as da Inglaterra, nação reconhecida por não ter pudor algum em usar poder bélico para garantir os seus interesses e nesse caso preferiu negociar, então por que o governo brasileiro deveria usar de força para resolver esse problema? Na diplomacia há uma gama de recursos que devem ser usados antes de se pensar em usar o braço bélico.
Graan Barros
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