FAB: PREENCHENDO LACUNAS DA DEFESA

Muito se discute sobre a demora na aquisição dos novos caças de 4ª geração que deverão substituir os atuais doze F-2000 Mirage baseados no 1ºGDA em Anápolis – Goiás. Os F-2000 Mirage são os responsáveis pela defesa do Planalto Central, região onde se encontram os Poderes Judiciário, Legislativo e Executivo do Brasil. Também deverão ser substituídos os F-5M que são as aeronaves com aviônica mais atual no inventário da FAB, inclusive com capacidade de entrelaçamento de dados com os E-99 (aviões de alerta aéreo antecipado), talvez sendo a nossa única vantagem tática em relação aos caças Sukhoi SU-30 (Venezuela) e F-16 (Chile). Atualmente a FAB possui 46 caças operando em esquadrões no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Amazonas.

Entretanto, devemos observar que uma Força Aérea não vive só das aeronaves de alto desempenho. Para que os caças possam cumprir sua missão de defesa do espaço aéreo, existe uma série de outros elementos que lhes dão apoio. Aeronaves de reabastecimento em voo, por exemplo. E é essa base da nossa aviação que tem sido paulatinamente renovada nos últimos anos, sejam as aeronaves de asa fixa ou rotativa. Quando a FAB realiza operações e manobras próprias ou de forma combinada com outras Forças, o elemento logístico tem se mostrado emergente, principalmente quando vislumbramos as distâncias continentais do nosso país. A FAB pensando nessa problemática tem criado Bases Desdobradas e Destacamentos como o de São Gabriel da Cachoeira na região estratégica da Cabeça do Cachorro. Esse destacamento possui infraestrutura e hangares preparados para receber aeronaves de qualquer porte, bastando que haja a necessidade. As operações combinadas Ágata têm evidenciado a urgência dessa estrutura e preparo logístico.
  
Mesmo com a criação dessas novas Bases as distâncias continuam grandes e tornou-se essencial a compra de novas aeronaves de asa fixa destinadas ao transporte de carga e tropa. Foram adquiridas então 32 aeronaves C-98 Cessna Caravan, de pequeno porte e 20 aeronaves C-105 Amazonas provenientes da Espanha, com capacidade média de carga. Espera-se também o fim do desenvolvimento do cargueiro que vai substituir os KC-130 Hercules que são atualmente as aeronaves com maior capacidade de carga usadas pela FAB. Devem ser encomendados a Embraer 38 KC-390, incluindo a versão de reabastecimento em voo, daí o “K” na designação da nova aeronave. Os KC-390 por serem a jato, poderão reduzir consideravelmente o tempo gasto nas missões.
 
Outra importante aquisição são os equipamentos de comunicação via satélite do tipo “Fly Away”, que por serem portáteis, trarão mobilidade tática e diminuirão consideravelmente as distâncias na Amazônia, pois aumentam a capacidade da utilização da vídeo conferência, por exemplo. Também estão sendo adquiridos caminhões através do PAC da Defesa realizado pelo Governo Federal.
 
Todos esses novos meios combinados com os do Exército e da Marinha podem ser considerados a base das novas Forças Armadas Brasileiras. Forças que estão se reestruturando, visando os novos desafios da Defesa no século XXI. E aguardemos o tão esperado e postergado anúncio do vencedor do FX-2.

Graan Barros
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