LABORATÓRIO MILITAR BRITÂNICO DIZ NÃO SABER SE SUBSTÂNCIA DE ATAQUE A ESPIÃO É RUSSA

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LONDRES – O chefe do laboratório militar britânico que investiga o envenenamento do ex-espião russo Sergei Skripal disse não ter sido possível determinar se o agente neurotóxico usado procedia da Rússia. O ex-agente e sua filha estão internados há um mês em Salisbury, Sul da Inglaterra, e o caso gerou uma crise diplomática geral do Kremlin com o Ocidente.

Em uma entrevista à Sky News nesta terça-feira, o chefe do laboratório de Porton Down, Gary Aitkenhead, afirmou que sua equipe foi capaz de identificar que foi um agente neurotóxico de tipo militar, o chamado Novichok — conjunto de substâncias de fabricação soviética. No entanto, relatou não ter sido possível identificar sua origem exata.

O governo britânico utilizou várias outras fontes para chegar a suas conclusões — relatou Aitkenhead.



O primeiro ataque com um agente neurotóxico na Europa desde a Segunda Guerra Mundial causou uma grave crise diplomática entre o Reino Unido e a Rússia, com trocas mútuas de expulsões diplomáticas e até o fechamento do consulado britânico em São Petersburgo.

Em solidariedade ao Reino Unido, 16 países da União Europeia e mais EUA, Canadá, Austrália, Albânia, Moldávia, Macedônia, Ucrânia e Noruega anunciaram a expulsão de mais de 150 diplomatas russos, na semana passada.

Moscou reagiu e ordenou a retirada de um número igual de representantes desses países, e que o Reino Unido reduzisse o pessoal de sua embaixada em Moscou para o mesmo número que a Rússia mantém em Londres.

Segundo a Embaixada da Rússia em Londres, ao não responder às indagações do país o Reino Unido viola a Convenção de Viena sobre Relações Consulares, de 1963, e o convênio bilateral que regula essas relações, de 1968. A Rússia tem se queixado de que o Reino Unido não forneceu evidências para respaldar sua alegação de envolvimento russo ou que o veneno seja um agente nervoso desenvolvido pela Rússia. Dentre as questões enviadas estão se o Reino Unido tem amostras de controle do Novichok e por que a França foi envolvida na cooperação técnica para a

investigação do incidente.

RÚSSIA CONVOCA REUNIÃO DA OPAQ

Nesta quarta-feira, a Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) tem uma reunião extraordinária convocada por proposta russa para exigir provas que sustentem a acusação.

Esperamos que a reunião ponha um ponto final na questão. Levantamos 20 perguntas para discussão. Espero que na discussão possa ser desenhada uma linha definitiva sobre o que aconteceu — disse Putin numa coletiva em Ancara, onde está para cúpula com os presidentes da Turquia e do Irã.

Estamos interessados numa investigação completa. Queremos ter acesso a essa investigação e esperamos receber materiais relevantes, já que a questão envolve cidadãos da Federação Russa — completou.

Fonte: O Globo

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