ESTADOS UNIDOS, ISRAEL E ARÁBIA SAUDITA AUMENTAM PRESSÃO CONTRA O IRÃ

A aliança, antes considerada improvável, entre Estados Unidos, Israel e Arábia Saudita cresce na mesma proporção que aumenta a influência do Irã sobre a Síria. Se a aliança entre os três países era velada e pouco explorada pela imprensa mundial, que, diga-se de passagem, é controlada por Estados Unidos e aliados, agora se mostra com mais clareza. A aliança tomou forma com o início do Conflito na Síria que segundo essa mesma imprensa foi provocado pela tirania do ditador sanguinário, Bashar Al Assad.

Porém esse roteiro é bastante simplista e bem parecido com outros já produzidos pela CIA e Pentágono, inclusive, com a acusação de que o governo sírio teria usado armas químicas contra civis. Algo bastante questionável taticamente, se pensarmos que Assad, naquele momento, já estava sobre grande pressão internacional e com ameaça de intervenção autorizada pela ONU se ousasse fazer isso. A parte sobre tirania então, chega a ser cômica, já que os EUA já apoiaram e ainda apoiam diversos ditadores.

Os Estados Unidos, Israel e Arábia Saudita têm interesses particulares e comuns na Síria e por isso, fomentam o conflito que já dura seis anos e que matou milhares de civis.



Os Estados Unidos querem derrubar Assad por duas razões básicas: a 1ª é romper com a aliança histórica que a família Assad tem com a Rússia e colocar no lugar um governo pró-ocidente como fez com diversos países do oriente médio. A 2ª razão é romper com outra aliança, desta vez com o Irã. O presidente Bashar Al Assad é alauíta, uma minoria religiosa que tem semelhanças com os xiitas, mas que governa a maioria Sunita.

Israel, tem o interesse em anexar definitivamente as Colinas de Golã, território sírio ocupado na Guerra dos Seis Dias. Dos três países era o que menos tinha arranhado a sua imagem no conflito. Entretanto, a situação mudou quando percebeu que Assad estava ganhando a guerra. Passou a retaliar até projéteis errantes que caíram nas Colinas de Golã, originados de combates entre o exército regular sírio e grupos anti-Assad. As retaliações das Forças de Defesa de Israel nunca foram contra os grupos anti-Assad, mas sempre contra as tropas sírias, mesmo não sabendo a origem.[1][2]

Surpreendeu o discurso Ministro da Defesa de Israel, Avigdor Liberman na Conferência Mundial sobre Segurança em Munique:

Se você me perguntar:” Qual é a maior notícia no Oriente Médio? “Eu acho que [pela] primeira vez desde 1948, o mundo árabe moderado, mundo sunita, entende que a maior ameaça para eles não é Israel nem os judeus, mas o Irã”.[Esse trecho pode ser encontrado no 8’30” do vídeo]

A notícia mais importante aconteceu, recentemente, quando o jornal americano The Wall Street Journal conseguiu a informação de que Israel financia grupos rebeldes na Síria com armamentos e alimentos. [3] A notícia coloca Israel como um dos atores diretos no fomento do conflito sírio.

Arábia Saudita não quer ser somente o centro do sunismo, mas deseja destruir qualquer influência dos xiitas do Irã no Oriente Médio e no mundo. Aliás, o xiismo só é maioria no país persa. O Reino saudita é monarquia absolutista que pratica a sharia (lei islâmica) à maneira do Daesh. Ou seja, se Daesh (que também é sunita) tivesse conseguido implantar o seu califado ele certamente seria a imagem e semelhança da Arábia Saudita.

O revés com a intervenção da Rússia

A guerra na síria poderia ser a cortina de fumaça perfeita para os Estados Unidos, Israel e ArábiaSaudita alcançarem os seus objetivos, porém, não conseguiram derrubar Assad do poder e a guerra que parecia estar ganha, mudou de rumo com a intervenção militar da Rússia, a pedido do próprio presidente Assad. A Rússia não só ajudou o exército da Síria a derrotar os Daesh (Estado Islâmico), mas combateu também os milhares de mercenários sauditas e os grupos financiados pelos Estados Unidos. Como resultado, no início do ano a administração Trump encerrou o financiamento do grupos anti-Assad deixando-os a própria sorte.[4]

Porém, os Estados Unidos ainda têm uma carta na manga que já está sendo usada: a questão Curda. Os Curdos, etnia com mais de 30 milhões de indivíduos, querem criar um Estado numa região formada por partes dos territórios da Síria, Iraque, Irã e Turquia. Logicamente, esses países não irã permitir a independência e perder parte dos seus territórios que são ricos em petróleo.

Nesse contexto, as forças americanas apoiaram as Forças Democráticas da Síria (FDS), grupo formado basicamente por curdos, a libertar cidades que haviam sido ocupadas pelo Daesh. Apesar do nome as FDS, nada têm de democráticas, basta ver o seu histórico ligado ao PKK turco que tem promovido diversos atentados a bomba na Turquia.[5]

img_3920Israel também colabora com os Curdos. Durante o referendo realizado recentemente no Curdistão Iraquiano, foram vistas diversas bandeiras de Israel sendo agitadas pela população em sinal de agradecimento ao apoio dado pelo governo judeu. A separação, entretanto, pode trazer mais instabilidade do que solução a região. O Irã, a Turquia e o Iraque chegaram a preparar ações militares conjuntas para impedir a criação de um Estado Curdo.[6]

Essa semana, no contexto do Conflito da Arábia Saudita como o Iêmen, os rebeldes Houthis lançaram um míssil balístico contra Riad, capital Saudita. Para abatê-lo, os sauditas lançaram pelo menos quatro mísseis do caríssimo sistema de defesa americano Patriot. Horas depois, os sauditas acusaram o Irã de estar por trás do lançamento do míssil e ameaçou o governo do Irã com um contra-ataque destruidor na hora e no momento adequados.[7]

Benjamim Netanyahu logo que soube do incidente com o míssil demostrou apoio aos sauditas e ordenou que a diplomacia de seu país enviasse correspondências aos seus aliados explicando a posição israelense de apoio a Riad.

Os assuntos internos também sacudiram o Reino. Diversos príncipes e funcionários do governo foram presos e acusados de corrupção. Entretanto, há os que preferem pensar que por trás dessa onda de anti-corrupção exista uma briga pelo poder que ajudaria uma determinada linha sucessória. Coincidência ou não, o helicóptero onde estava o  vice-governador de Asir, Mansour bin Muqrin caiu matando ele e outros membros do governo. Mansour era filho do príncipe Muqrin bin Abdulaziz, ex-chefe de inteligência da Arábia Saudita que era herdeiro até ser substituído esse ano por Mohammed bin Salman, filho de 32 anos do rei Salman.

Donald Trump em sua inseparável conta de Twitter afirmou: ‘Tenho grande confiança no rei Salman e no príncipe herdeiro da Arábia Saudita, eles sabem exatamente o que estão fazendo…”

I have great confidence in King Salman and the Crown Prince of Saudi Arabia, they know exactly what they are doing….

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