NOVO MÍSSIL INTERCONTINENTAL ENTRA EM FASE FINAL DE TESTES

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“Satan-2” tem capacidade para até 10 toneladas de mísseis nucleares

O novo míssil russo intercontinental Sarmat (“Satan-2”, segundo a classificação da Otan) completou todos os testes de produção e está pronto para seu primeiro lançamento, que deve ocorrer já em outubro deste ano, de acordo com o Ministério da Defesa russo.

O armamento pesa 100 toneladas e pode transportar uma carga de até 10 toneladas, ou seja, 15 mísseis balísticos MIRV, cada com uma carga entre 150 e 300 quilotoneladas de energia.

Ogivas nucleares menores são dispostas dentro do Sarmat como cachos de uvas e, no momento de entrar na atmosfera, cada míssil se separa para continuar em direção a determinado alvo, de acordo com o algoritmo programado.



Essas inovações fazem do Sarmat o maior e o mais pesado míssil do mundo, servindo como um dissuasor nuclear efetivo para promover a estabilidade no mundo.

O míssil pode destruir alvos a uma distância de até 17 mil quilômetros e atravessar o planeta, passando pelo Polo Sul.

O Sarmat poderá ainda voar a velocidades hipersônicas (superiores à Mach 5, ou seja, 6.120 km/h) e mudar de trajetória e altura de voo para evitar ser interceptado, segundo o ex-comandante das Forças de Mísseis Estratégicos e general-coronel aposentado Víktor Éssin.

“Os sistemas de defesa aérea existentes não conseguem interceptar esse míssil”, afirma, Éssin.

“Na atualidade, é impossível detectar um míssil chegando do Polo Sul. Por isso, o inimigo potencial precisará desembolsar uma quantidade considerável de capital para construir uma nova linha defensiva”, diz o diretor do Centro de Estudos Sociais e Políticos da Rússia, Vladímir Evseev.

Segundo ele, o novo míssil substituirá o R-36M2 Voievôda (“Warcheif”, segundo classificação da Otan), que está desatualizado.

“O novo míssil será mais leve e terá alcance maior. Enquanto o Voievôda pode percorrer até 11 mil quilômetros, o Sarmat cobrirá uma distância de 17 mil quilômetros. O Sarmat poderá ainda voar pelo Polo Sul, uma zona sem escudos antimísseis “, explica o analista militar da agência de notícias Tass, Víktor Litóvkin.

“O míssil balístico intercontinental Voievôda foi colocado em operação há 30 anos para impedir potenciais conflitos. Chegou a hora de substitui-lo por um armamento de nova geração”, completa.

Mas há quem duvide da agenda estabelecida para os mísseis. Para o professor Vadim Koziulin, da Academia de Ciências Militares, os militares não conseguirão realizar o primeiro lançamento do Sarmat da base militar de Plesetsk om outubro.

“Os testes já foram adiados várias vezes e podem ser atrasados novamente. O desenvolvimento de projetos desse tipo é resultado de uma estreita cooperação entre quase 500 empresas. Antes do lançamento, é necessário realizar inúmeros testes de campo que, a meu ver, ainda não foram concluídos”, disse Koziulin.

Caso os resultados sejam bem-sucedidos quando do lançamento do míssil Sarmat, o armamento será transportado ao leste da Sibéria, próximo da cidade de Chita, o que garantirá lançamentos seguros do míssil, que não poderá ser interceptado do mar.

“Haverá um total de 154 mísseis Sarmat, o equivalente ao número de armazéns dos mísseis Voievôda”, completa Koziulin.

Fonte: Russia Beyond

Nikolai Litôvkin e Serguêi Sevriuguin

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