CRISE COREANA NÃO É CALL OF DUTY

  • hiroshima-e1438857741760

A possibilidade, mesmo que remota, de uma guerra entre a Coreia do Norte e Estados Unidos e aliados, logicamente, vem chamando muito a atenção da população em geral, mais especialmente dos leitores interessados em temas militares. Porém, o que vem intrigando esses leitores é como a nação mais poderosa do mundo conseguiu estar em um impasse com o governante norte-coreano, Kim Jong-Um.

A explicação nem sempre parece satisfatória, principalmente, para a geração Y (jovens nascidos entre 1992 e 2010), que tem por característica primordial confundir a vida real com a virtual. Nesse sentido, eles observam confusos os acontecimentos que estão ocorrendo na península coreana.

Ora, já não era para os Estados Unidos terem atacado e destruído a Coreia do Norte, com todos os seus 23 milhões de habitantes? Essa é outra característica da geração Z: são imediatistas, tudo tem que ser para ontem! A guerra para eles é como jogar Call of Duty.  Só que no jogo você mata e morre virtualmente, usando um console no conforto e segurança do seu lar e ninguém morre de verdade. É tudo mentirinha!



Já a realidade é bem diferente de um joguinho e foi revelada a revista “The American Prospect por Steve Bennon, ex-conselheiro do presidente norte-americano, Donald Trump:

“Não existe uma solução militar [para as ameaças nucleares da Coréia do Norte]. Esqueçam! Até que alguém resolva a parte da equação que me mostra que dez milhões de pessoas em Seul morrerão nos primeiros 30 minutos de guerra, (…) não existe solução militar!

Diferente do Call of Duty se houver uma guerra, 10.000.000 (MILHÕES) de pessoas podem morrer só com a utilização de armas convencionais!

Se houver o uso de armas nucleares, centenas de milhares de pessoas podem morrer imediatamente e outras tantas poderão morrer no decorrer de décadas, por causa da contaminação radioativa!

Na vida real existe uma coisa chamada erro, defeito, imponderável! Nenhum sistema de defesa, mesmo americano, é perfeito e sendo assim, pode falhar na hora H.  Basta lembrar do incidente ocorrido no início deste ano, quando em um teste com o míssil Míssil Balístico Intercontinental “Trident II D5”, lançado a partir do submarino nuclear britânico “Vengeance” se dirigiu para os Estados Unidos, ao invés do alvo estipulado. Será que o povo americano aceitaria em sã consciência o risco de ter uma de suas cidades atingida por um artefato nuclear?

Fora tudo isso, quem autorizar o uso de armas de destruição em massa, vai ter que arcar com as consequências dos seus atos. Em situações assim, muitos dos aliados podem desaparecer da noite para o dia e a opinião pública mudar de lado. Dependendo do resultado o “day after” pode ser tão catastrófico quanto imprevisível!

Por Graan Barros

Facebook Comments


Compartilhe