NEM A MARINHA AMERICANA CONSEGUE RENOVAR SEUS NAVIOS DENTRO DO CICLO DE VIDA DE 25-30 ANOS

  • USS Arleigh Burke (DDG 51) transita a baía de Chesapeake em seu caminho de volta para o porto. Foto US Navy - RJ Stratchko
  • USS Fort McHenry (LSD 43) costa da ilha de Sumatra, Indonésia. (17 de janeiro de 2005) Sgt. Scott Reed
    USS Fort McHenry (LSD 43) costa da ilha de Sumatra, Indonésia. (17 de janeiro de 2005) Sgt. Scott Reed
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  • Fragata F-43 Liberal

O Comandante da Marinha, Eduardo Bacellar Leal Ferreira durante uma audiência da Comissão de Relações Exteriores de Defesa Nacional do Senado, afirmou que: nossas fragatas tem 40 anos de idade e nossas corvetas 28. São navios de guerra que foram feitos para durar 25 anos, e estamos com navios de 38 anos, 40 anos, essa é a média (…) E assim são todos os navios de superfície.

As advertências de Bacellar aos membros da comissão do Senado são oportunas e necessárias, dado a idade avançada dos meios da esquadra, em um contexto onde as ações para a sua renovação não são tomadas com a velocidade necessária. O almirante expôs as condições dos meios navais da Marinha como alguém que numa transação comercial apresenta o seu produto com o preço mais alto, esperando que a contraproposta deprecie o valor pedido inicialmente.

Quando ele afirma que o ciclo de vida de um navio de guerra está nos 25-30 anos ele apresenta o que seria ideal, o estado da arte, mas não o aplicável. Seria algo espantoso se a Marinha do Brasil dispusesse de um orçamento que permitisse estabelecer um ciclo de vida tão rigoroso como esse para os nossos navios e em especial para as escoltas, que pela sua função são mais caras que os outros tipos de navios. Nem mesmo os Estados Unidos da América (EUA), que tem o maior orçamento militar no mundo conseguem essa façanha.



Navios anfíbios (Dock Landing Ship) da classe Whidbey Island, que foram comissionados entre 1985 e 1992, passaram por upgrades (modernizações) que os manterão operativos até o ano de 2038. Ou seja, o último da classe, o LSD-48 Ashland será desativado com 46 anos de idade. Situações como essa ocorrem, principalmente, por redução de orçamento ou dificuldades no desenvolvimento das classes que substituirão esses navios.

USS Fort McHenry (LSD 43) costa da ilha de Sumatra, Indonésia. (17 de janeiro de 2005) Sgt. Scott Reed

USS Fort McHenry (LSD 43) costa da ilha de Sumatra, Indonésia. (17 de janeiro de 2005) Sgt. Scott Reed

 

 

 

 

 

 

Até os bem sucedidos “destroyers” da Classe Arleigh Burke também foram projetados esperando um ciclo de vida de 35 anos. A classe vem recebendo atualizações do seu sistema de combate, inclusive com novas gerações do míssil de cruzeiro “Tomahawk”, tornando o navio atual e apto para cumprir suas missões. Aqui no Brasil, uma modernização de meia idade foi feita nas fragatas da classe Niterói (Vosper 10), mas agora com mais de 40 anos de uso, não se espera mais medidas como essa, apenas o merecido descanso.

USS Arleigh Burke (DDG 51) transita a baía de Chesapeake em seu caminho de volta para o porto. Foto US Navy – RJ Stratchko

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O caso do HMS Ocean

Se usássemos rigorosamente esse ciclo de vida de 25-30 anos, o interesse demostrado pela Marinha do Brasil pelo Porta-Helicópteros HMS Ocean da Royal Navy poderia soar como uma grande contradição, pois o navio só será desativado pela marinha britânica no próximo ano, em 2018, quando terá participado de sua última grande comissão. Se for realmente vendido ao Brasil, só entrará em operação por aqui,pelo ano de 2019 ou 2020, já com seus 24 anos de uso, faltando 6 anos apenas para atingir o fim do ciclo de vida.

Por Graan Barros

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