ASTROS 2020 – EMPREGO DE ARTILHARIA DE FOGUETES E MÍSSEIS DE LONGO ALCANCE


Postamos recentemente a notícia sobre o Workshop realizado no 6º Grupo de Lançadores Múltiplos de Foguetes (6º GLMF), em Formosa/GO sobre o emprego do Sistema ASTROS 2020. O objetivo é criar doutrina para o novo sistema, que elevará a capacidade do Exército ao nível estratégico e não mais tático, já que o MTC-AV 300 pode atingir alvos a 300 Km de distância.

 
Agora, o Exército publica a Nota de Coordenação Doutrinária intitulada: “EMPREGO DA ARTILHARIA DE MÍSSEIS E FOGUETES DE LONGO ALCANCE”, que visa “orientar o planejamento em exercícios de simulação de combate e temas de estudo das escolas militares.” Mesmo se prestando a fins tão específicos de estudo a NOTA esclarece muito sobre as caraterísticas do ASTROS 2020 e do MTC-300. 

É bem verdade que muita coisa será acrescida e reescrita posteriormente, quando o ASTROS 2020 estiver de fato operando o MTC-300 e o novo foguete SS-40G. A construção de um doutrina, parafraseando o Tenente Coronel Douglas Bassoli, nasce não apenas do Comando, mas da tropa¹.




MTC-300 Míssil Tático de Cruzeiro
 
Algumas características:



Principais alvos indicados:

Instalações de Comando e Controle (C2), bases logísticas, Z Reu de GU, Bases de Aviação inimigas, além daqueles de grande valor estratégico ou de elevada importância militar. (NCD)
 
 
Efeito produzido no alvo: 
 
Efeito cinético com precisão em alvos localizados até o alcance máximo de 300 km. O alcance mínimo de utilização é de 30 km, ambos ao nível do mar. (NCD)
 
Precisão:
 
Em CEP – erro circular provável é menor ou igual a 30 metros. A AEB (Área Eficazmente Batida) é uma circunferência de raio de 80 metros. (NCD)


Cabeças de guerra: 
 

Cabeça-de-Guerra unitária do tipo Auto-Explosiva (AE), com peso máximo até 200 kg, contendo 109 kg de PBX

Cabeça de Guerra múltipla (MW) com capacidade de ejetar 66 submunições de 70 mm. (Em desenvolvimento)



Combustível:
 
Combustível sólido: Voo balístico
Querosene de aviação (Q Av):  Voo de cruzeiro (cerca de 180 litros por míssil).


Motor:

Inicialmente, foi adotada a turbina da Polaris (foto abaixo), mas posteriormente a Avibras desenvolveu uma própria que deve ser a definitiva. *



Turbojato Polaris TJ1000


Empuxo: 1000lbf
Consumo Específico: 1,18 kg / kgf / h
Peso: 67 kg
Comprimento: 1.080 milímetros
Diâmetro: 350 milímetros





Velocidade, Estágios de voo, Guiamento:
 
Lançamento com a fase balística inicial (queima do booster), atingirá uma altura de 1.000 metros. A fase do voo de cruzeiro será nivelada entre 200 e 800 metros. A velocidade de cruzeiro subsônica será de cerca de 290 m/s (Mach .85 ou 1.044 Km/h).

A navegação é através de GPS/INS e em trajetórias pré-definidas chamadas de “pontos de controle” ou “waypoints”. As trajetórias poderão ser de direções variáveis, retilíneas ou curvilíneas, em função de obstáculos ou da situação tática imposta, porém ao nível do voo de cruzeiro. O booster deverá cair a aproximadamente 4 km do ponto de lançamento, com uma dispersão circular de raio 1 km, na Direção Geral de Tiro. (NCD)


Abaixo, um esboço da trajetória do MTC-300 do disparo ao alvo com os dois tipos de cabeça de guerra, a atual e a MW que ainda se encontra em desenvolvimento. Observem o ângulo de 70º da lançadora no momento do disparo e comparem com a foto do topo.
 
Bateria de Busca de Alvos
 
O ASTROS 2020 contará com uma Bia BA (Bateria de Busca de Alvos*) com duas Seções que posicionam o Sistema ASTROS e o Exército Brasileiro na condição de possuir uma visão sistêmica do campo de combate conhecido como ISTAR (Intelligence Surveillance Target Acquisiton and Reconnaissance). É o processo que integra a inteligência, vigilância, aquisição de alvos e reconhecimento de uma maneira que permite ao comandante possuir uma consciência situacional do campo de batalha para poder tomar melhores decisões².
 
*O termo mais usado é “Bateria de Aquisição de Alvos”.
 
  • Seção RADAR

 

Na (NCD) não consta o RADAR que será utilizado na Seção. Para esse tipo de função são usados os RVT (RADAR de Vigilância Terrestre) ou RADAR de contrabateria que pode detectar a trajetórias de morteiros, artilharias e foguetes inimigos com o objetivo de possibilitar uma rápida retaliação. 
 
A brasileira, BRADAR desenvolveu um RADAR desse tipo, o SABER M20 (leia matéria sobre ele clicando aqui), porém é de curto alcance e com a finalidade de ser usado pela Infantaria. Já o SABER M200, em fase final de desenvolvimento, possui também essa função.
 
 
  • Seção SARP (Seção com Aeronaves Remotamente Pilotadas – ARP)

A seção contará com três ARPs da categoria 3. Provavelmente, o ARP Falcão, que está sendo desenvolvido pela Harpia Sistemas (associação entre a AEL, Avibrás e Embraer) será o utilizado. O ARP decolará de Aeródromos existentes e ficará sob o controle operacional da Aviação do Exército. A autonomia será de 20 horas, voará a um altitude de 6.000 metros e será controlado por sinal de rádio a uma distância de 300 KM. (NCD)

Ou seja, o Falcão sendo uma ARP da categoria 3, não contará com BLOS – Beyond Line of Sight ou Sistema de comunicação além da linha de visada que utiliza sinal satelital.


O esquema acima demostra como seria uma Seção SARP do ASTROS 2020. Serão necessárias 2 Seções para compor a Bia BA. A diferença que observamos em relação a NCD é a ausência do trilho de lançamento, mas que como vemos é opcional. 
 
– Três aeronaves plataforma-multimissão (três ARP).
– Uma Estação Terminal de Comunicações (Ground Data Terminal – GDT), para o enlace ARP-Estação de Controle de Solo (Ground Control Station – GCS).
– Uma Estação de Controle de Solo, (GCS) para a navegação, o controle da missão e a vigilância.


 
 
 
Foguete SS-40G
 
 
O SS-40 G é uma evolução do Fgt SS-40, com uma dispersão de cerca de metade da dispersão do foguete atual. O comprimento do Fgt SS-40 foi aumentado, foram acrescidos canards na porção dianteira e adicionado em sua fase propulsada um mecanismo composto por micro propulsores laterais para a correção da trajetória. Com isso, a previsão do erro circular provável, (CEP do SS-40G seja a metade do foguete  SS-40.





Principais alvos indicados:
 

No que se refere aos alvos preferenciais do SS-40G são os “relacionados à interdição do campo de batalha, à artilharia inimiga, concentrações de tropa ou de blindados, postos de comando, instalações logísticas e áreas de reunião de material de engenharia, dentre outros.”  (NCD)

Graan barros (Editor)




Fontes:

¹Tenente Coronel Douglas Bassoli – Palestra: Doutrina Militar Terrestre, Novos Conceitos.

²Lima Junior, Cezar Augusto Rodrigues. Busca de alvos na artilharia de campanha do Exército Brasileiro: um começo. AMAN. Disponível em<http://artilhariaemcombate.zip.net/>.

³Bastos, Expedito Carlos Stephani. Astros II, o eficiente sistema de artilharia de foguetes brasileiro 2. Universidade Federal de Juiz de Fora. Disponível em <http://www.ecsbdefesa.com.br/fts/ASTROSII2.pdf>

*Atualizado em 29/02/2016.

Harpia Sistemas

Polaris

Ministério da Defesa

Obs.: Quando o texto da “Nota de Coordenação Doutrinária” aparecer na íntegra, sinalizamos com sua abreviação, NCD.


Para fins de comparação sugiro a leitura da matéria:

SAÍRAM OS REQUISITOS TÉCNICOS BÁSICOS DO MÍSSIL TÁTICO DE CRUZEIRO AV-TM 300 (MTC-300) DO EXÉRCITO

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