CRISE NO ORIENTE MÉDIO

Wesley Clark, general aposentado do Exército dos EUA e Comandante Supremo Aliado da OTAN durante a Guerra do Kosovo fez declarações ao Democracy Now sobre os bastidores da preparação do que seriam as intervenções militares feitas pelos EUA e seus aliados ao Iraque e Afeganistão. Os trechos mais importantes da entrevista são as revelações das reais motivações para os ataques.

Diferente do que foi divulgado pela mídia na época, não havia prova alguma de que o Iraque possuísse qualquer tipo de armamento de destruição em massa ou que o presidente Sadam Husseim mantivesse qualquer ligação com a Al-Qaeda de Osama Bin Ladem. Pelo contrário, o ataque ao World Trade Center teria sido o fato que poderia servir de pretexto para desencadear uma série de intervenções no Oriente Médio e África com o objetivo de derrubar governos que não se alinhavam com os interesses dos EUA. 

O General Clark chega a listar os países que seriam os alvos: Afeganistão, Iraque, Somália, Sudão, Síria e concluindo com o Irã. O que podemos constatar é que a lista foi seguida quase a risca, somente sendo interrompida na Síria e no Irã. Hoje vemos que a Síria vive mergulhada em uma profunda crise interna. E o que diz a imprensa internacional a respeito? Parece colocar todas as suas fichas na Primavera Árabe, movimento popular que busca levar democracia e liberdade para as ditaduras do Oriente Médio. 

Se de fato fosse esse o caso, por quê então esse movimento não atingiu uma da mais antigas ditaduras do Oriente Médio que é a que governa a Arábia Saudita? O elemento que diferencia a Arábia Saudita das outra ditadoras da região é o fato do governo Saudita ao lado do Egito serem os principais aliados Islâmicos da Casa Branca na região. 

Dentro desse jogo onde os interesses hegemônicos dos EUA parecem nortear cada movimento dos jogadores, o ideal é esperar como vai se comportar a Rússia, aliada histórica da Síria e do Irã e que por isso mesmo, teria muito a perder se houvesse um ataque Americano a Síria ou ao Irã. Mas a Rússia de Vladimir Putin será o mote para uma futura reflexão.

Graan Barros

    

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